Play-to-earn: os problemas dos jogos para lucrar, e não mais se divertir
Enviada em 15/04/2023
O capital fictício, segundo o economista Karl Marx em seu livro “O Capital”, seria dinheiro sem valor real utilizado para transações e obtenção de lucro. De maneira análoga a isso, observa-se a utilização de criptomoedas e NFT’S na indústria de jogos, por meio do play to earn, que apresenta inúmeros problemas. Nesse prisma, destaca-se a valorização do capital em detrimento do desenvolvimento do jogo e a exploração dos jogadores.
Em primeira análise, evidencia-se a tendência da valorização dos lucros acima de tudo. Sob essa ótica, conforme exposto no artigo “2023 trará a morte dos jogos play-to-earn”, os jogos passam a ser deixados de lado como foco da empresa, tornando-os desinteressantes e pouco explorados, em virtude de os desenvolvedores focarem seus esforços na produção de suas moedas para consolidá-las nas “exchanges” (empresas de conversão de criptomoedas em dinheiro real).
Ademais, o público que passa a enxergar os jogos como uma ferramenta de trabalho acessível, acabam por se chocarem com a forma que os servidores operam. Segundo o artigo “Jogos em Blackchain ‘play-to-earn’ criam cenário propício para trabalho informal e precarizado”, o valor a ser recebido pelo acúmulo e troca de moedas ficam a mercê da expeculação no mercado e da porcentagem do valor a permanecer com as empresas, tornando o rendimento do jogador incerto. Não obstante a isso, as cargas horárias a serem cumpridas para obter tal rendimento são altíssimas, que combinadas ao desinteresse do jogo, leva a um desgaste mental no jogador e possível abandono do sistema.
Em suma, para se conter os problemas do play-to-earn, devem ser tomadas medidas estruturais. As empresas que participam do sistema, junto com o Estado em que irão atuar seus produtos, devem regular o valor da criptomoeda, além de criar incentivos para a produção de jogos que não sejam apenas “caça-níqueis”.
Dessa forma, será possível o play-to-earn ser realizado sem que aja uma “saturação” e abandono dos jogos pelos clientes, e também os jogadores poderão usufruir de seus rendimentos sem a necessidade de despender uma carga horária abusiva. Só então os problemas do play-to-earn serão resolvidos para todos.