Play-to-earn: os problemas dos jogos para lucrar, e não mais se divertir
Enviada em 21/05/2023
Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) elencou a saúde e o bem-estar como meta a ser perseguida pelos países membros até 2030, devido aos índices alarmantes de comorbidades como ansiedade e depressão. Nesse sentido, a saúde mental aparece como pilar indissociável desse objetivo. Entretanto, observa-se um número crescente de indivíduos que prejudicam seus momentos de lazer ao vinculá-los com a ansiedade de ganhar recompensas, como no fenômeno “play-to-earn”, no qual jogadores submetem-se a metas exaustivas em troca de criptomoedas. Diante disso, cabe ao Estado a regulamentação desses jogos no país, além da orientação social acerca do assunto.
Sobe esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é essencial para a homeostase (equilíbrio) social. Nesse ínterim, tal assertiva é ratificada pelo conteúdo da lei do Sistema Único de Saúde (SUS) de 1990, a qual confere ao Estado o dever de promover a saúde de forma ampliada, ou seja, deve-se considerar parâmetros psicológicos e sociais além dos fisiológicos. Desse modo, evidencia-se a necessidade de mitigar práticas nocivas à saúde pública, como no caso supramencionado dos jovens que jogam em rotinas exaustivas.
Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse contexto, o antropólogo Roberto DaMatta, em ‘Carnavais, malandros e heróis", critica a inércia do brasileiro, por esperar dos políticos a solução para todas as mazelas. Em contrapartida, conforme o autor, resultados melhores surgem quando o povo participa ativamente do processo de mudança. Por conseguinte, entende-se que a conscientização acerca do “play-to-earn” e de seus ônus deve ocorrer de forma precoce, no seio familiar e nas escolas.
Portanto, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertuda de uma comissão especial que a atue diuturnamente na busca por atingir a meta da ONU relativa à saúde pública, com foco especial no espectro psicológico. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto e a sociedade civil, além de acompanhar indicadores sobre o tema. Assim, gradativamente, o país colherá os frutos das ações empreendidas.