Pobreza em evidência no Brasil
Enviada em 28/10/2020
Na canção “Pobreza por pobreza”, Luiz Gonzaga descreve a saída do sertanejo de sua terra em busca de melhores condições de sobrevivência, mas o músico diz que é preferível permanecer, pois, tem plena convicção de que a fome e a pobreza são as mesmas em qualquer lugar. Fora da primeira arte, o cenário não é muito diferente, visto que o aumento da miséria é uma constante no país, com base em sua raiz histórica e perpetuada pela negligência estatal. Dessa forma, torna-se imperioso medidas que possam amenizar essa problemática.
De início, é notório destacar o fator histórico como causa da dessemelhança social. Nessa ótica, há de citar um dos elementos responsável pela concentração de renda e terra, no caso, o sistema de “plantation”, implantado no Brasil colonial do final do século XV e ao longo do XVI. Tal metodologia tinha como pilares: o grande latifúndio, a mão de obra escrava (negro e índio), sistema monocultor e voltado para o mercado exportador, em que os verdadeiros beneficiados eram os europeus. Assim, inicia o papel do país, que é o de enriquecedor de uma pequena elite - interna ou externa - e, em contrapartida, deixar sua população cada vez mais desvalida.
Outrossim, cabe assinalar a obstinação dessa problemática, mantida ,obviamente, pelo descaso e corrupção provocados pelos Governantes de todas as esferas. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, baseada nos critérios estabelecidos pelo Banco Mundial, no Brasil, 13,5 milhões de pessoas vivem em condição de extrema pobreza. Esse contingente é equivalente, por exemplo, às populações de países como Bolívia, Cuba, Grécia e Portugal. Assim, é necessário acabar com a má distribuição de riquezas, caso contrário, a frase de Eduardo Galeano na introdução da sua obra “As Veias Abertas da América Latina”, “A divisão internacional do trabalho significa que alguns países se especializam em ganhar e outros em perder”, se tornará atual.
Portanto, torna-se urgente caminhos que possam tornar essa “balança” mais equilibrada. Para tanto, o Congresso Nacional deve criar normas que fortaleçam a agricultura familiar e retomar a agenda da reforma agrária, em prol do pequeno agricultor, pois, somente assim, o combate a concentração de terras se tornará uma realidade. Além disso, cabe à Fazenda Pública implantar um sistema tributário mais equânime, por meio da redução de tributos sobre o consumo (indireta) e aumentar a tributação sobre o patrimônio e a renda (direta) do topo da pirâmide social. Dessa forma, a música de Luiz Gonzaga retro citada, não mais terá sentido no quesito: desigualdade social.