Pobreza em evidência no Brasil
Enviada em 03/10/2019
“Pobreza por pobreza, sou pobre em qualquer lugar. A fome é a mesma fome que vem a me despertar e a mão é sempre a mesma que vive a me explorar”. A canção atribuída ao músico Luiz Gonzaga revela os sofrimentos daqueles que vivem em uma condição de miséria. De modo análogo, a pobreza destaca-se no cenário nacional conforme seu crescimento atinge níveis preocupantes, conforme apontam os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nesse sentido, a redução dos postos de trabalho e a falta de uma política humanizada acentuam esse cenário.
Convém ressaltar, a priori, que a situação de miséria vivenciada por inúmeros brasileiros é intensificada pelo cenário de crise econômica. Com efeito, a perda de renda, devido ao desemprego ocasionado pela recessão, levou muitas famílias ao quadro de extrema pobreza e vulnerabilidade social. De fato, conforme os dados do IBGE, o país amarga mais de 13 milhões de desempregados que compõem o quadro de miséria do país. Ademais, a política de enfrentamento da crise, como o congelamento de investimentos, não favoreceu os mais pobres, de forma que os serviços básicos de atendimento à população deixaram de ter investimentos e intensificaram a pobreza multidimensional.
Outrossim, a miséria também é um problema constitucional na medida em que, um dos fundamentos e objetivos que regem o Estado Democrático é a dignidade humana e a erradicação da pobreza. Todavia, a desigualdade impede que as pessoas vejam a si mesmas como iguais e pertencentes à mesma comunidade. Nesse sentido, o indivíduo sente-se abandonado pelo próprio Estado que não atua em seu favor. Por certo, o filósofo grego Aristóteles dispõe que a ideia de justiça está intimamente ligada ao conceito de igualdade. Sob essa ótica, falta-se uma política humanizada que busque a integração e equidade entre os membros de uma mesma comunidade.
Diante disso, medidas devem ser tomadas a fim de conter o avanço da pobreza. A priori, deve o Governo Federal incentivar programas de cooperação com empresas nacionais, por meio da criação de um sistema de contratação de pessoas de baixa renda com o intuito combater o crescimento do desemprego. Ademais, grupos organizados da sociedade devem reivindicar o fim do congelamento dos gastos, mediante a mobilização com o uso das redes sociais e petições online, para que se possa apresentar o Congresso Nacional formalmente a proposta. Por fim, os governos locais devem comparecer às comunidades para escutar seus pedidos e possam, juntos, elaborar uma política humanizatória que promova a integração entre os locais e os indivíduos pertencentes, o que deverá ser feito mediante a realização de obras de infraestrutura nos locais carentes. Espera-se, com isso, que os versos de Luiz Gonzaga ecoem apenas em sua melodia.