Pobreza em evidência no Brasil

Enviada em 02/02/2020

No filme coreano de sucesso “Parasita”, nos é apresentado dois núcleos familiares opostos, uma família rica e outra pobre, sendo essa motivada pelo desejo de substituir os grandes cargos ocupados pela elite coreana, como uma forma de abandonar a miséria suburbana de Seul. Fora da ficção e em outro continente, a pobreza é indubitavelmente um dois maiores problemas socioculturais do Brasil, devido a fatores políticos e herança de uma colonização escravagista, gerando não só desigualdade extrema como também problemas de saúde à população e inacessibilidade à educação.

Em decorrência dos fatos mencionados, sabe-se que hodiernamente no país, a má administração dos cofres públicos, a corrupção e o desemprego são os principais motores que propulsionam o pauperismo brasileiro. De maneira análoga, desde a Revolução Industrial, a ambição por um modelo econômico cada vez mais capitalista e lucrativo para os grandes empresários, fez com que trabalhos braçais fossem feitos por máquinas, elevando cada vez mais a porcentagem de desempregados e por conseguinte, de pessoas pobres. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, uma vez que se vive na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte. Nesse contexto, ignorar a pobreza - que está cada vez mais em evidência no Brasil - é sinônimo de levar milhões de pessoas à danos irreparáveis, infringindo os direitos humanos.

Ademais, o aumento desse imbróglio gera outras barreiras à aqueles que sofrem com a miserê, sendo eles a desigualdade na sociedade brasileira, a falta de acesso à saúde e à educação de qualidade, visto que em regiões carentes, a distribuição de serviços públicos ainda é deficiente, situação contraproducente com o que se espera da administração governamental. Uma vez que na sociedade há discrepância quanto as oportunidades dadas, se faz cada vez mais difícil de sair desse cataclismo social, pois, de acordo com a Katarina Tomasevski, relatora especial da ONU (Organização das Nações Unidas), a educação é uma das chaves para abrir outros direitos humanos.

Portanto, urge ao Tribunal de Contas da União direcionar capital ao Ministério da Economia e da Educação, para então impulsionarem novos empregos por meio da capacitação da população através de mais escolas técnicas, que irá contar com um conteúdo de qualificação profissional igualitário. Sendo assim, “Parasita” deixará de ser uma retratação de um cenário real brasileiro, e passará ser visto apenas como uma obra cinematográfica.