Pobreza em evidência no Brasil
Enviada em 20/05/2020
Graciliano Ramos, em sua obra “Vidas Secas”, mediante a animalização dos personagens, retratou os efeitos da desigualdade social no sertão nordestino do século XX. De maneira análoga, no século XXI, tal defasagem ainda é evidente e não só é a causa da pobreza no Brasil, como também traz consequências sociais extremamente negativas. Desse modo, medidas de combate a essa problemática são necessárias.
De início, cabe elucidar a relação histórica entre discrepância social e a pobreza. Sob esse ângulo, a concentração de recursos é presente desde o início da colonização do Brasil, haja vista a distribuição de capitanias hereditárias sob poder dos nobres e a escravização dos que não possuíam terras. Em meio a isso, é nítida a associação de proporcionalidade entre a posse de bens, a posição ocupada na sociedade e o alcance da cidadania, a qual perpassa o período hodierno, fomentando a miséria. Em síntese, a raiz histórica de disparidade social permite a ascensão da carestia.
Em função disso, vale ressaltar os prejuízos, para a sociedade, suscitados pela conjuntura supracitada. Nesse sentido, a falta de acesso à renda suficiente gera trabalho infantil, baixa escolaridade e condições precárias de saúde, uma vez que, consoante o geógrafo Milton Santos, o dinheiro, na sociedade globalizada, está diretamente relacionado ao gozo de direitos. Por isso, o Brasil possui Índice de Desenvolvimento Humano insatisfatório e é considerado subdesenvolvido. Dessa forma, a pobreza é um entrave para a democracia e para o desenvolvimento social do país.
Portanto, observa-se que é imprescindível a mitigação da paupérie no Brasil, visto que é uma chaga na democracia. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Educação melhore a acessibilidade à renda, por meio da introdução de cursos profissionalizantes concomitantes ao ensino escolar, fazendo parcerias com empresas privadas para empregar os jovens que concluíram o ensino médio, a fim de facilitar o acesso ao mercado de trabalho e, consequentemente, ao rendimento. Assim, realidades como a de “Vidas Secas” não serão mais comuns no Brasil.