Pobreza em evidência no Brasil

Enviada em 23/12/2020

A pandemia do COVID-19 trouxe inúmeros impactos ainda incalculáveis para o Brasil, como na área social que já vinha se agravando com as crises políticas e econômicas dos últimos anos. Por um lado, a crise serviu para mostrar os grandes gargalos e desigualdades que há no país, como nas áreas da saúde, da educação e da assistência social. Por outro lado, serviu para mostrar, também, aqueles que culpam a parte mais vulnerável da população por sua própria condição de pobreza e que os acusam de estarem onerando os cofres públicos por dependerem do auxílio emergencial. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de se socorrer aqueles que clamam por ajuda para saírem dessa evidente situação desigualdade social que se agravou ainda mais no ano de 2020.

Em primeira análise, vale ressaltar que a história do Brasil como país foi construída baseada no colonialismo de exploração do século XVI, em que não apenas a riqueza natural, mas também os povos nativos e os que foram trazidos foram subjugados pelo mais forte: o branco europeu, no caso o português. Assim, mesmo após a sua independência de Portugal, o país foi passando por formas de governos que se baseavam na concentração de poder e renda dos mais privilegiados, vide a primeira República também conhecida como República Oligárquica, em que uma pequena elite agrária guiava o país de acordo com seus interesses econômicos. Portanto, nota-se que a grande desigualdade presente no país é resultado direto da própria história brasileira. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa realidade que reflete as profundas desigualdades sociais e econômicas do país.

Ademais, tem-se que a pobreza não é só uma questão social resolvida com um simples auxílio mensal, mas uma questão estrutural quando se fala de país, visto que a solução dessa temática passa por melhores oportunidades de trabalho, distribuição de renda, acesso a uma boa educação básica e acesso a uma bom sistema de saúde. Posto isso, vale dizer que ainda há muito a ser feito e o caminho a ser percorrido não é desconhecido, já que organizações globais, como a ONU, apontam estratégias que outros países fizeram para superar essas questões, como no relatório de Desenvolvimento Humano divulgado esse ano e que aponta o Brasil como 83º IDH de 170 países que foram analisados.

Com isso, nota-se que uma ação governamental faz-se necessária. Dessa forma, cabe ao governo federal aliado aos governos locais o mapeamento das áreas mais carentes de cada cidade, a fim de construir com verba pública uma estrutura de suporte a essas famílias que vivem na pobreza, como unidades de saúde e escolas, criando oportunidades de trabalho para que possam sair dessa realidade miserável. Só assim o país terá uma população com mais equidade social e que prosperará pujantemente.