Pobreza em evidência no Brasil
Enviada em 13/08/2021
A Constituição Federal de 1988 resguarda, no artigo 1º de seus postulados, a dignidade da pessoa humana. Contudo, tal premissa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o quadro de pobreza no Brasil, o que põe em destaque dois aspectos pertinentes: a carência de políticas públicas e a ausência de uma educação financeira disponível à coletividade. Posto isso, medidas atitudinais e estruturais são necessárias para a revogação dos fatores que favorecem esse cenário.
Em uma primeira análise, vale ressaltar a falta de ações governamentais para reverter a situação de miséria à qual muitos estão submetidos. Concomitantemente a isso, sabe-se que o Brasil vivencia uma realidade em que há oportunidade do indivíduo realizar uma graduação, no entanto, falta espaço para sua ascensão no mercado de trabalho, o que contribui para com o aumento da taxa de desemprego, que atinge 14,7% segundo coluna da Uol´´, e, por conseguinte, para a intensificação da pobreza. Essa conjuntura, conforme as ideias do filósofo contratualista John Locke, viola o contrato social´´, visto que o governo não cumpre sua função de garantir a dignidade do cidadão, o que lamentavelmente é evidente no país.
Em um segundo plano, cabe mencionar a inexistência de uma educação monetária como um fator potencializante. Conforme o filme ´´À Procura da Felicidade´´, protagonizado pelo norte-americano Will Smith, nota-se como é possível um pai, desempregado e abandonado pela esposa, alcançar sobrevivência todos os dias pela sabedoria em administrar o pouco que lhe resta. Nessa perspectiva, convém afirmar que a falta de conhecimento da comunidade em relação à aplicabilidade de suas finanças é um dos agentes que promove a crise financeira no ambiente familiar, visto que a maioria não possui noção da logística de ganhos e gastos, fazendo, assim, mal uso de seu dinheiro. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, a necessidade de se combater tais obstáculos. Para isso, o Poder Executivo, responsável por administrar os interesses públicos e governar o povo, por meio de uma discussão no Congresso Nacional, deve redirecionar as verbas governamentais resgatadas da Operação Lava Jato como forma de incentivo a setores de indústria, turismo, ensino técnico e desenvolvimento de regiões carentes em infraestrutura, com vistas a contribuir na geração de novos empregos dentro do corpo social. Ademais, o Ministério da Educação deve incluir a educação financeira na grade curricular das escolas públicas, a fim de auxiliar o indivíduo no tocante a administração de seus rendimentos. Feito isso, se consolidará uma sociedade permeada pela legitimização dos rudimentos pautados na Magna Carta.