Pobreza em evidência no Brasil
Enviada em 19/08/2021
No Brasil, o insignificante destaque midiático em relação à pobreza extrema vem sendo criticado. Em face disso, a marginalização do segmento social miserável, nos veículos de comunicação, resulta da associação dos fatores socioculturais, no contexto do mundo global, o que pode agravar o estado de exclusão desse grupo, evidenciando, assim, a necessidade de estratégias que deem visibilidade às contradições da sociedade.
Com efeito, os sociólogos Adorno e Horkheimer afirmam que a indústria cultural estimula a necessidade de consumir. Nessa perspectiva, a mídia, muitas vezes, omite-se de enfatizar a situação miserável de alguns indivíduos, pois eles não possuem hábitos socioculturais que sirvam como modelo para criar o desejo de consumo. Desse modo, quando uma celebridade é fotografada usando alguma marca ou patrocinando alguma atividade, a indústria midiática utiliza-se desse fato para promover-se e aumentar os lucros. Nesse contexto de marginalização, a miséria não é rentável aos veículos de comunicação.
Em virtude disso, a incorporação dos padrões impostos pela mídia, aliada à falta de criatividade, faz muitos indivíduos tornarem-se indiferentes às condições de vida dos estratos miseráveis e não compreendem as condições de pobreza como um fenômeno social. Ademais, essa situação de indiferença segundo sociólogos, promove a violência simbólica, ou seja, a desvalorização das práticas sociais dos grupos marginalizados, como músicas, danças e crenças, o que é um deseço à igualdade social e à tolerância.
Destarte, a pobreza extrema precisa ser mais destacada e discutida pela mídia e pela sociedade. Para isso, os veículos de comunicação devem ampliar os seus espaços editoriais que questionem as contradições sociais e permitam a expressão dos grupos marginalizados, por meio de artigos opinativos e cartas ao leitor. Além disso as escolas e universidades devem estimular a criatividade dos discentes e aprofundar o questionamento acerca das causas da pobreza, por intermédio de debates, em sala de aula, e fóruns de discussão, como forma de diminuir o alheamento à pobreza e amenizar os preconceitos socioculturais.