Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 08/09/2019
Grilar a terra, decepar o mato, coivara na serrapilheira. Desse modo, o gado pode ruminar o pasto para se enraizar a lavoura da próxima safra. Aliás, não fosse os incêndios dessa expansão agrícola, Emmanuel Macron não teria centralizado o Brasil no seu detestável discurso neocolonialista, nem a Finlândia teria requerido a suspensão da importação da carne brasileira na União Europeia, ambos sob o pretexto de descaso ambiental. Mas, restou a pergunta: essa dilatação do agronegócio é sustentável?
Embora alguns arautos da bancada ruralista teimem em repetir que o agronegócio rentabiliza a nação, é fato histórico que o brasileiro não sabe usar bem seus recursos naturais. Tanto que temos a genética da concentração das terras, cavamos feridas ainda abertas nas Minas Gerais e temos parcas fotografias, guardadas como memória, da Mata Atlântica (segundo a organização não governamental SOS Mata Atlântica, há apenas 12% da cobertura original). Sim, o brasileiro é sustentabilíssimo!
Noutro giro, é de se destacar que essa retrógrada mentalidade exploratória, que beijou o crucifixo das multinacionais, também disse amém aos fertilizantes e aos agrotóxicos da Revolução Verde, e, hoje, desfloresta para poluir. Também os rios, a fauna e a flora são degradados, e silvícolas são enxotados, para, segundo a Embrapa, o agropecuarista criar 220 milhões de nelores em 167 milhões de hectares ao invés cultivar gêneros alimentícios que mataria a sina da fome de tantos severinos. Por isso, Macron é o eco de DeGaulle, repetindo que o Brasil não é sério.
Portanto, é necessário que o Governo Federal, por meio do INCRA e da FUNAI, realize a demarcação de terras indígenas, inibindo a expansão do agronegócio e preservando as áreas do cerrado e de floresta amazônica para as futuras gerações, conforme preconiza o artigo 225 da Constituição Federal. Ao mesmo tempo, por meio do Ministério da Educação, poder-se-ia instalar um centro de pesquisa na Zona Franca de Manaus, para que, dessa forma, fossem desenvolvidas tecnologias com a biodiversidade amazônica. Assim, a floresta em pé traria verdadeira sustentabilidade.