Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 06/09/2019
Emergente no século XX, a Revolução Verde firmou-se um crucial avanço técnico para o ramo agrícola. Diante disso, a ruptura com o modelo tradicional de produção trouxe ao setor inúmeros estudos e modificações científicas na economia rural. Dessa forma, corroborou, também, novas configurações sociais e tecnológicas no campo. No entanto as mudanças - estabelecidas no vigente agronegócio - pautam severas consequências ao meio ambiente, e preservam, ainda, uma preocupante estrutura arcaica de concentração fundiária no país.
De primeira parte, há de se analisar que o patrimônio agrícola deixa à margem a questão ambiental visando, em primeiro plano, o lucro a ser obtido. Nesse sentido, a economia marrom, pautada no acúmulo de capital, demonstra-se importante precursora de tais práticas, insustentáveis para o meio ambiente. Ocorre que a alta demanda de produção alia-se a métodos de agilização no fabrico e, com isso, firma suas expectativas no uso de agrotóxicos, fertilizantes e fungicidas. Esses, por sua vez, alteram diretamente micro cadeias alimentares e, acarretam, desse modo, exponenciais impactos no ecossistema. A saber, tais desequilíbrios enrijecem a problemática ecológica e mostram-se intragáveis para a biosfera, visto que promovem danos irreversíveis para a natureza.
Ademais, a questão estende-se também para o setor social, tendo em vista a permanência da supremacia latifundiária. De maneira análoga ao modelo feudal - concebido na Idade Média - ainda hoje faz-se necessária a presença da agricultura familiar no Brasil, focada na subsistência e no abastecimento interno da população. Entretanto, tal setor é alvo de disputas fundiárias e de divisão de terrenos, que, por sua vez, ocorre de maneira primitiva e inconsequente, concentrando grandes propriedades de terra sob o poder de empresários. Tais medidas, dessarte, ferem os direitos civis da população mais pobre e, com isso, distam-se de um modelo equivalente de distribuição agrária e igualdade no setor rural.
Fica claro, dessa forma, que a expansão do agronegócio deve ser comedida a fim de atenuar os impactos causados nos setores ambiental e social. Para reverter essa problemática, faz-se necessária atuação do Ministério do Meio Ambiente, que em conjunto com o Ministério Público Federal, deve salientar medidas eficazes para a punição de crimes ambientais e práticas que coíbam a proliferação de seus impactos para o meio, tais como denúncias, multas e processos de julgamento mais rígidos. Além disso, é dever do Estado promover uma melhor distribuição de terras inativas no país, a fim de garantir espaço a agricultura familiar no Brasil, de forma a favorecer a economia interna e o sustento próprio. Assim, o país presenciará uma revolução não só verde, mas de maior abrangência setorial.