Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 21/09/2019

No Brasil, a estruturação de modelos produtivos pautados na monocultura exportadora sempre foi comum, com o uso demasiado e exploratório da terra a envolver desde o ciclo da cana de açúcar, no período colonial, à manipulação da soja, no século XXI, por meio do agronegócio. Nesse contexto, questiona-se acerca dos expoentes envolvidos na distensão da produção agrária brasileira, setor que, apesar de ser muito importante para a economia, confere grande insalubridade socioambiental à nação e faz uso da alienação popular para a geração de lucros, cenário nefasto que precisa ser reformulado.

Nesse sentido, é válido salientar que o agronegócio, a partir da expansão da pecuária e da agricultura, é uma das principais causas da devastação ambiental visualizada no terceiro milênio. Isso se deve, sobretudo, ao defasado planejamento agrícola, que visa ao lucro exponencial em detrimento do bem-estar ambiental e populacional. Dessa forma, grandes porções naturais brasileiras são destroçadas e desmatadas, como a Amazônia e o Cerrado, a partir da abertura de novas fronteiras agrícolas pelo homem. Tal postura, além de prejudicar o ambiente, tendo em foco a extinção de espécies animais e vegetais, é fatal também para o próprio agronegócio, pois conforme a Associação dos Produtores de soja, em 2019, cerca de 16 milhões de toneladas de soja já foram perdidas por conta da seca, problema que tem forte relação com as estratégias insustentáveis de produção.

Outrossim, a expansão do agronegócio no âmbito nacional é um processo com vários estigmas velados, que incluem a manipulação das mídias e das próprias indústrias do ramo agrícola, ao dilatarem a distância entre consumidores e os produtos. Nessa perspectiva, slogans como “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo”, muito difundido pela rede Globo de televisão, ajudam a criar uma ideia ilusória de sustentabilidade e serenidade que, muitas vezes, não é empregada no “agrobusiness” brasileiro. Assim, consumidores pouco sabem sobre o peso ecológico dos seus produtos, que vão desde o desmatamento e a violência animal à morte de indígenas e de ativistas ambientais, como a de Dorothy Srang, freira americana defensora da Amazônia, morta em 2005 no Pará a mando de agropecuaristas.

Portanto, urge minorar os caracteres nocivos que circundam o agronegócio brasileiro. Para isso, é fulcral que o Poder Público estabeleça, a partir de reuniões com os Ministérios da Agricultura e da Economia, políticas de maior variedade alimentar, que contem com práticas agroecológicas, como a agricultura familiar, a fim de desconcentrar a produção que hoje é focada na carne e nos cereais, e oferecer novas alternativas sustentáveis à população. Ademais, é importante que as empresas aprimorem suas responsabilidades ambientais, oferecendo relatórios online verídicos sobre o processo produtivo e pegadas ecológicas das mercadorias, com o intuito de estimular o consumo consciente.