Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 04/10/2019
Segundo o político e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, a pior guerra é a aquela contra a natureza. Entretanto, a preocupação ambiental expressa na frase não condiz com a realidade brasileira, uma vez que a principal fonte comercial do país, o agronegócio, impacta diretamente os recursos naturais. Desse modo, cabe analisar com maior amplitude as causas e consequências da expansão desse âmbito no Brasil nos últimos anos.
A princípio, ressalta-se como o capitalismo, vigente desde o século XV, corrobora os expressivos impactos referentes à natureza. Rachel Carson, no livro “Primavera silenciosa”, evidenciou a extinção de várias espécies de aves, nos Estados Unidos, devido ao uso do agrotóxico DDT, proibido em 1990. Porém, mesmo sendo classificados como nocivos à saúde dos seres vivos, ainda faz-se o uso desses produtos químicos nas lavouras brasileiras. Para justificar esse dado, de acordo com o G1, mais de 250 tipos de fertilizantes foram legalizados no país, até agosto de 2019. Logo, é possível compreender que os agricultores contaminam o solo para aumentar a produtividade e, assim, alcançam a única meta desse sistema econômico: o lucro.
Por conseguinte, muitas riquezas naturais são extintas do Brasil. A título de exemplo, a principal região do país destinada à plantação de soja, denominada como “Arco do Desmatamento”, no centro-oeste, enfrentou fortes secas nos últimos anos, o que prejudicou tanto os animais quanto os moradores locais. E, como se não bastassem esses prejuízos, um dos maiores biomas do território nacional, o Cerrado, encontra-se, devido a essa exploração, com menos de 50% de sua formação original, conforme o site Brasil Escola. Desse modo, relaciona-se o agronegócio com a devastação da flora e da fauna da nação.
Diante dos fatos supracitados, portanto, urge que medidas sejam providenciadas para a erradicação do imbróglio no Brasil. Para que tanto a economia quanto a natureza não sejam prejudicadas, cabe ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), em parceria com agricultores, o oferecimento de feiras alimentícias nas praças públicas de todo o país, mediante a oferta de verduras e legumes livres de agrotóxicos, o que incentivará uma plantação menos nociva ao ambiente. Ademais, os órgãos responsáveis pela fiscalização das áreas florestais devem impor uma lei de “cultivo renovável”, a qual o produtor deve replantar a mesma quantidade de árvores derrubadas, com o intuito de manter a quantidade inicial da flora brasileira. Com isso, o país fará jus a ideologia de Fernando Henrique Cardoso.