Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 28/10/2019

No ramo da agropecuária, o Brasil é uma potência mundial, sendo o maior exportador de carne e um dos maiores exportadores de soja, mas também o maior utilizador de agrotóxicos, segundo Vicente Almeida, membro da Embrapa. Por ocupar uma porção tão expressiva da economia brasileira, há uma constante pressão para a aquisição e utilização de novas terras nessa indústria. Porém, a extensão do atual modelo do agronegócio brasileiro a novas áreas qualificaria uma ameaça crítica ao meio ambiente, uma vez que ele já demonstra ser insustentável.

Especificamente, os danos colaterais causados pela agropecuária às terras que ela ocupa estão paulatinamente degradando o solo, a flora e a água de várias regiões do país, de forma que se torna questionável a viabilidade dessas operações no longo termo. Dentre estes danos, podemos citar, novamente de acordo com Vicente Almeida, a arruinação de corpos d’água através da exposição a contaminantes químicos e orgânicos; a contaminação do solo por meios similares ou sua infertilização por sobreuso de agroquímicos; e a remoção da flora local, que ocasiona mudanças cumulativas no clima da região, assim como a vulnerabilização estrutural do solo, a qual acelera a erosão.

Dessa forma, a extensão destas práticas a novas áreas, como o cerrado e a Amazônia, traduziria-se na progressiva degradação delas. Ademais, haveria também uma deterioração do clima em escala nacional, assim como a perda do potencial medicinal, comercial e científico de espécies ainda não estudadas endêmicas a essas regiões.

Portanto, evidencia-se o imperativo de conter a expansão territorial da indústria agrícola e pressioná-la para que empregue um modelo de negócios mais inócuo. Para tal, o Poder Público deve elaborar e implementar novas regulamentações que financeiramente punam companhias de forma proporcional aos danos que causaram ao ambiente em que operam. Contudo, estas penalizações devem ser suficientemente severas para que uma considerável parcela das entidades do setor venham à falência por fracassarem em adaptar-se, pois, nesse cenário, a sustentabilidade terá sido inserido na cultura empresarial das entidades restantes como uma alta prioridade. Efetuada essa mudança, o Estado deve lentamente disponibilizar novas terras para expansão do agronegócio, uma vez que os riscos ao meio ambiente terão sido em muito reduzidos.