Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 01/11/2019

‘‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’’. Através deste trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que a sociedade, ao longo de seu desenvolvimento, encontra obstáculos em sua caminhada. Nesse viés, os impactos do agronegócio na saúde se configuram como um empecilho na sociedade contemporânea. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes:  a negligência governamental e a falta de conhecimento da população sobre os malefícios do uso de agrotóxicos nos alimentos.

Em primeira análise, cabe pontuar, que ocupando a nona posição econômica mundial, segundo a revista ‘‘EXAME’’, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de segurança a alimentação eficaz. Contudo, a realidade é claramente o oposto e é refletida no número alarmante de agrotóxicos usados em alimentos para acelerar a produção, favorecendo a economia. Sob tal ótica,  prova disso é o dado divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no qual informam que 64% dos alimentos brasileiros são contaminados por agrotóxicos. Consequentemente, prejudicando a saúde do cidadão.

Ademais,cabe mencionar, que a educação é o principal fator para o desenvolvimento de um país. Entretanto, muitos brasileiros não possui o senso de que esses agrotóxicos ingeridos podem causar graves doenças, como câncer, arritimia cardíaca, fibrose pulmonar, doença de Parkinson, entre outras - de acordo com a OMS. Diante dessa perspectiva, para o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo poderá agir apenas quando aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber das origens e condições de que depende.

Portanto, somente a educação pode desenvolver esse senso no indivíduo, pois, diante dos fatos supracitados, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Cabe ao Poder Legislativo em parceria com a ANVISA, formular leis mais eficazes, com base em pesquisas científicas, realizadas por biólogos, que visem novas alternativas de agrotóxicos menos agressivos a saúde. Outrossim, esta pesquisa deve ser realizada por meio de investimentos estatais e compartilhada nas escolas para alunos e interessados pelo assunto, apresentando os prós e contras do uso de agrotóxicos. Para que, assim, o uso exacerbado destes agroquímicos seja uma pedra removida do caminho para o desenvolvimento.