Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 04/01/2020
A Revolução Verde, a partir dos anos 1950, trouxe ao mundo uma nova forma de produção no campo, com uso intensivo de maquinário pesado e tecnologia de ponta. Nascia, pois, o agronegócio, alçado à posição de carro-chefe da economia brasileira, trazendo não somente lucros exorbitantes, mas graves consequências sócio-ambientais. Pensar no agronegócio atual, dessa maneira, é preocupar-se com um modelo injusto, reprodutor de desigualdades e prejudicial ao meio ambiente.
É importante salientar, a princípio, que o Brasil condicionou a agropecuária à condição de principal força da matriz econômica, fato explicado pela Teoria da Economia Política de Marx, na qual o setor de destaque de uma economia é maximizado ao extremo em detrimento das demandas sociais existentes. Assim, ao passo que produz, o agronegócio promove uma relação perversa, como por exemplo, na política de demarcação de áreas indígenas, na supressão de direitos trabalhistas e na violência do campo. Reproduz, exatamente, as mesmas perversidades e anomias presentes na sociedade, criando um império sobremodo injusto.
Por outro lado, destaca-se o incalculável prejuízo ambiental causado pela agricultura extensiva desenfreada, com áreas inteiras de Cerrado e Floresta desmatados, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ademais, o uso intensivo de agrotóxicos, com a maior liberação registrada na história em 2019, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, retrata o descompromisso da cadeia econômica e dos órgãos fiscalizadores para com a saúde pública e ambiental. Assim, é um modus operandi insustentável e perigoso. Segundo Schopenhauer, um erro, o de sacrificar um bem por qualquer outra vantagem.
É fundamental, portanto, a instituição de projetos alternativos, por meio do Ministério da Agricultura e EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, para desenvolvimento de biopesticidas e controladores químicos biodegradáveis, de forma a fomentar produtividade com segurança aos vários ecossistemas envolvidos. Bem como, estabelecer campanhas de boicote, por meio do engajamento entre população civil, mídia digital e Organizações Não-Governamentais, às empresas poluidoras e com relações sociais injustas, visando a formação de um novo pensamento, mais responsável e igualitário. Um pensamento consciente, que nos leve a uma revolução, mais justa, entretanto, do que aquela vivenciada nos idos de 1950.