Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 07/01/2020
Midas, rei da mitologia grega, era um jubiloso personagem que transformava em ouro tudo que tocava, até não mais conseguir comer nem beber justamente por seu dom. De maneira semelhante, o agronegócio brasileiro, ao expandir-se ferozmente e bater lucros de arrecadação, perfaz um grave problema ao propiciar grande degradação ao ambiente do qual depende e trazer malefícios que perpassam as fronteiras do campo. Falar em agronegócio, assim, é preocupar-se com um modelo potencialmente insustentável e ambientalmente agressivo.
É importante salientar, a princípio, que há um prejuízo ambiental causado pela atividade agricultora que ofusca os ganhos por ela alcançados. Nesse sentido, ao passo que participa com 23% do PIB, o agronegócio foi o maior responsável pelos 5000km² de floresta desmatados em 2019, segundo dados do IBGE. Ademais, lança-se mão do uso cada vez mais crescente de agrotóxicos, prática perigosa e potencialmente prejudicial ao ambiente e à sociedade. Ao replicar as mesmas práticas inconsequentes existentes em sociedade, o agronegócio traduz-se como perverso. O homem é lobo do homem, diria Hobbes.
Nesse ínterim, destaca-se ainda que o processo produtivo da atividade agricultora extensiva gera disputas de território, como afirma Vicente de Almeida, pesquisador da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Ou seja, conforme produz, o agronegócio promove uma relação perversa, como por exemplo, na demarcação de áreas indígenas, na violência do campo e sobretudo, na supressão da atividade de distribuição de terra e agricultura familiar. Com objetivo de sufocar os pequenos agricultores, a produção de alimentos é prejudicada, logo a concentração fundiária impacta na perda de terras de plantio para o agronegócio. Portanto, é necessário que a sociedade debata acerca desse tema.
É fundamental, para resolução do quadro, a instituição de um projeto integrado de vigilância contra o desmatamento, por meio de órgãos como IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Polícias Militar e Federal, de forma a viabilizar maior fiscalização, penalização de contraventores, fomentando produtividade com segurança aos vários ecossistemas. Bem como, estabelecer campanhas de boicote, por meio do engajamento entre população civil e mídia, às empresas que se utilizem de práticas socialmente perversas no campo, visando a formação de um novo pensamento, mais consciente e justo. Um pensamento de um agronegócio sustentável. Evitando-se, assim, que se caia no conto de Midas, preso no seu próprio dom.