Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 16/07/2020
A Revolução Verde se caracterizou por um amplo processo na história mundial, de produção e utilização de tecnologia na agropecuária para aumentar a produção de alimentos. Este acontecimento foi essencial para o desenvolvimento do agronegócio, que é fundamental na economia brasileira. De acordo com a CNA Brasil, o agronegócio corresponde a mais de 20% do PIB do país. No entanto, muitas polêmicas são discutidas, atualmente, acerca dessas atividades, uma vez que causam graves consequências ao meio ambiente e à saúde humana, devido ao uso excessivo de agrotóxicos, e intensificam questões fundiárias e sociais.
O uso de defensivos agrícolas é extremamente alto no Brasil. Segundo uma pesquisa da Sindiveg, em 2017, o consumo brasileiro dessas substâncias foi de, aproximadamente, 900 mil toneladas, sendo este o maior índice global. As consequências deste uso desenfreado são inúmeras, sendo a principal a degradação ambiental, pois estes produtos contaminam os solos utilizados e águas, tanto de rios quanto subterrâneas. Assim, a biodiversidade local reduz progressivamente, além contaminar e prejudicar a saúde dos trabalhadores e até mesmo os consumidores.
Ademais, paralelo ao crescimento do agronegócio, tem-se o aumento da concentração de terras para produção que visa a monocultura de exportação. Este fato pode ser explicado historicamente, pois desde o início das atividades agropecuárias no Brasil, já existia a concentração fundiária, que foi intensificada com a Lei de Terras em 1850. Por conseguinte, riquezas e poder ficam acumulados nos donos da propriedade, contribuindo para o aumento da fome e pobreza, pois a população, muitas vezes, não consegue terras e nem alimento, que é exportado.
Logo, é notório que o Brasil precisa tomar medidas que tornem a expansão do agronegócio mais sustentável e humana, não deixando de contribuir com a economia do país. Para isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento juntamente com o do Meio Ambiente deve elaborar um projeto que irá analisar e aplicar processos de recuperação dos recursos hídricos que poderão estar contaminados, por meio de pesquisas científicas. Além disso, com o auxílio do Congresso Nacional, deve-se elaborar uma Lei que vise disponibilizar e destinar parte das terras do país para a população de baixa renda, para que ela possa, assim, desenvolver uma agricultura familiar para consumo próprio e para a população em geral. Para que, assim, os avanços da Revolução Verde não se tornem a cada dia retrocessos para a sociedade e para o meio ambiente.