Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 12/08/2020

O livro “Estação Brasil”, escrito pelo autor Domingos Pellegrini, apresenta uma realidade futurística marcada pela contaminação e desgaste ambiental gerado pela ação antrópica. Fora da ficção, percebe-se que, atualmente, o Brasil vai ao encontro da descrição de mundo presente na obra literária, uma vez que a expansão desenfreada do núcleo econômico primário emerge problemas de cunho social e ambiental. Nesse sentido, é notória a necessidade de medidas para atenuar as problemáticas sancionadas pela ampliação do agronegócio no país.

Em primeiro plano, é preciso analisar que o advento da Revolução Industrial propiciou a ascensão de inovações tecnológicas e científicas, as quais logo o ser humano tornou-se dependente, uma vez que  facilitam e agilizam a realização de diversas tarefas. Nesse ínterim, tais instrumentos foram rapidamente absorvidos pelo âmbito produtivo agrário, haja vista a maior produtividade proveniente do uso de maquinarias, possibilitando o enriquecimento de muitos produtores agrícolas e ampliação de zonas territoriais destinadas ao plantio. Entretanto, o uso de tais ferramentas não é acessível para todos, fato que ascende a existência de disparidades econômicas decorrente da alta produtividade de alguns em detrimento de outros, evidenciando a implicação da expansão agrícola na manutenção da desigualdade no ambiente rural.

Ademais, embora a Organização das Nações Unidas (ONU) preveja, nos Objetos do Desenvolvimento Sustentável , a proteção do meio ambiente como um dos objetivos prioritários dos países, nota-se que tal ideal progressista não é repercutido com eficiência na prática. Tal contexto decorre  do engrandecimento de terras para o uso produtivo, posto que faz faz urgir a ocorrência do usufruto de insumos agrícolas lesivos ao meio ambiente objetivando uma produção em larga escala e capaz de atender a demanda comercial. Dessa forma, há a existência de uma realidade econômica abjeta que acarreta a polução de lençóis freáticos e rios pela ação de fertilizantes e agrotóxicos, situação que fomenta prejuízos para a população direta ou indiretamente dependente deles e carece de atuação estatal para garantir sua mutabilidade.

Diante disso,é imperativo que o Ministério do Meio Ambiente, responsável pelo uso sustentável de recursos naturais, facilite o acesso de pequenos agricultores à insumos agrícolas que estimulam a produtividade, como bioinseticidas e fertilizares naturais, a partir da disseminação de desses produtos gratuitamente, visando não só a diminuição das desigualdades rurais por meio da equiparação da eficiência produtiva, como também substituição do uso de substancias tóxicas por outras menos prejudiciais ao meio ambiente, assegurando, assim, o cumprimento do objetivo estabelecido pela ONU.