Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 11/08/2020
A colonização portuguesa no Brasil se efetivou e desenvolveu através do plantio de cana de açúcar, dessa forma, a economia do país se consolidou sobre os históricos ciclos econômicos baseados na extração de recursos naturais. Nesse sentido, destaca-se então, a importância dos commodities para a geração de capital da nação. Entretanto, uma economia baseada em commodities significa a expansão do agronegócio, sendo um verdadeiro divisor de opiniões, já que este gera importantes impactos ambientais e sociais.
Sob um primeiro olhar, as consequências da expansão do agronegócio é nitidamente identificada nos importantes biomas de território brasileiro como o Cerrado e a Amazônia, onde a expansão é violenta e a degradação do solo e exterminação das vegetações nativas afetam os ecossistemas e contaminam os lençóis freáticos. No filme “O Lorax” as florestas de uma cidade são completamente devastadas para que um personagem consiga matéria prima suficiente para a confecção dos produtos de sua fábrica, e como consequência a longo prazo da retirada da vegetação os negócios entraram em ruínas. Não distante da ficção está o modelo econômico do Brasil, já que este é baseado em exportar matérias primas para as grande empresas internacionais, causando, por conta de projetos e fiscalizações ineficazes, uma grande degradação ambiental que resultará em grandes perdas de biodiversidade no futuro.
Além das consequências ambientais, outro motivo que gera polêmicas a cerca da expansão do agronegócio são os impactos sociais causados pela alta concentração fundiária. Desde as capitanias hereditárias há conflitos de disputa de territórios no país, que resultaram na grande concentração de terras nas mãos dos mais poderosos, os quais hoje são comparados aos donos de terras do agronegócio. Tais conflitos deram origem a movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra que há anos lutam para recuperar os déficits habitacionais e produtivos dos pequenos agricultores prejudicados pela concentração fundiária. Nesse sentido, mostra-se preocupante a expansão do grande e poderoso agronegócio, uma vez que o déficit habitacional e o prejuízo ao agricultor familiar estimula o êxodo rural e prejudica o comércio interno.
Portanto, torna-se imprescindível que o Governo Federal integre a dimensão econômica com a social e a ambiental através de um projeto de investimento em tecnologia capaz de garantir a vida espécies nativas como forma de caucionar a continuidade do agronegócio para o futuro e ainda preservar os biomas brasileiros. Ademais, organizações não governamentais devem fomentar campanhas de auxilio aos pequenos agricultores para promover a circulação interna de mercadoria em pequenas cidades.