Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 07/08/2020

A elevada concentração fundiária no Brasil é consequência das capitanias hereditárias, medida de loteamento implantada pelo Império Português no século XVI. Dessa forma, hodiernamente, nota-se a disputa por terras com o intuito de aumentar ainda mais o agronegócio brasileiro, cuja participação no Produto Interno Bruto do país é de aproximadamente  22%. Entretanto, deve-se considerar a ameaça aos biomas nacionais e a perda de biota, exemplos dos impactos negativos que a expansão descontrolada da agro-indústria acarreta ao meio ambiente e a fauna e flora brasileira, e por conseguinte, erradicá-los.

A priori, observa-se a terra como base da civilização humana, tanto para formar culturas, quanto para gerar riquezas. Por esse viés, com o advento da primeira Revolução verde e a fim de produzir em maiores quantidades, adotou-se o uso intensivo do solo. Nesse sentido, o uso de máquinas e fertilizantes  acelerou o processo produtivo e corroborou para que a demanda industrial crescesse ainda mais, e como efeito disso, a constante procura por expandir os espaços geográficos, que já encontravam-se mal divididos. Para atingir esse propósito, ocorre a remoção da cobertura vegetal e, consequentemente, aumento da poluição atmosférica e hídrica. Pela mesma razão, os biomas brasileiros estão sendo devastados. Do ano 2000 até 2015, o Cerrado perdeu 236 mil quilômetros quadrados e a Amazônia, 208 mil quilômetros, como mostram estudos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

Além disso, as atividades humanas reduzem o potencial biótico de diversas espécies, ocasionam

desequilíbrio nos ecossistemas e aumentam do risco de extinção de milhares de seres vivos. Por analogia, a animação infantil da empresa norte-americana “Dreamworks”,  “Os Sem-Floresta”, retrata a vida de animais que perdem o habitat natural. No filme, a floresta é derrubada para a construção de um condomínio residencial. Da mesma maneira, no Brasil, a ampliação desenfreada da atividade agrícola favorece a escassez de recursos naturais e a redução da biodiversidade.

Em suma, para que o alargamento do agronegócio seja realizado de maneira consciente, ou seja, sem refletir fortes danos ao meio ambiente e aos seres inseridos nele, é essencial que as leis federais para crimes ambientais sejam reforçadas e delimitem faixas territoriais que não podem ser desmatadas, além de incluir penas rigorosas para essas infrações. Igualmente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis deve fiscalizar a condição que encontram-se os animais naturais de áreas próximas aos sítios de cultivo. Somente assim, a terra será aproveitada de forma responsável e as comunidades naturais serão protegidas.