Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 15/08/2020

No início da Primeira República, o Nordeste brasileiro foi palco de um conflito social - Guerra de Canudos - em que sertanejos lutavam pela posse das terras de latifundiários. Um século após, os conflitos e polêmicas acerca do agronegócio, que representa 1/3 do PIB, perduram no Brasil. Nesse sentido, pode-se citar a falta de incentivos à produção sustentável e a necessidade de uma reforma agrária efetiva.

A princípio, vale destacar que a agricultura familiar, principal adepta da agroecologia, carece de assistência técnica, mesmo sendo base econômica de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Diante disso, a exiguidade de um cultivo de precisão não possibilita aumento de produção, tornando inviável e elitista o consumo de alimentos orgânicos pela maioria dos brasileiros. Desse modo, o Estado atua como agente perpetuador da problemática.

Paralelo a isso, estão os grandes latifúndios que constituem 50% do território e são os responsáveis pelo Brasil estar no topo de geração de café, laranja, carne bovina e segundo maior produtor de soja, segundo a EMBRAPA. Em contrapartida, a expansão do agronegócio não resolveu a elevada utilização de agrotóxicos, a má distribuição de terras e, ademais, sua mecanização gerou desemprego. Conforme José Saramago: somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Urge, então, um plantio e manejo consciente, além da reorganização da estrutura fundiária.

Portanto, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através de amplo debate com sociedade e Ministério da Economia, criar um plano nacional de financiamento e formação técnica dos pequenos produtores, como cursos de gestão financeira da propriedade e implementação tecnológica, visando o desenvolvimento sem degradação ambiental. Tal projeto deverá, também, promover o acesso a terra e o combate a desigualdade, afim de atender os princípios da justiça social.  Feito isso, os atritos de 1889, na agricultura e pecuária brasileira, não voltarão à tona.