Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 06/08/2020

No documentário lançado em 2014 “Cowspiracy”, o criador Kip Andersen aborda a importância do veganismo e os impactos da indústria agropecuária, atacando organizações como “Greenpeace” por sua omissão quanto as consequências do consumo de carne. De maneira análoga à temática da produção, observa-se no contexto brasileiro uma série de dilemas no que se refere à expansão do agronegócio e suas decorrências. Acerca dessa premissa, a problemática possui contextos antagônicos, seja pela importância econômica da agropecuária, seja pelos impactos decorrentes de suas atividades.

Em uma primeira análise, vê-se que o setor agrícola nacional desempenha uma grande importância econômica. De acordo com uma matéria veiculada no “G1”, em 2019 o agronegócio representou 21% do produto interno bruto brasileiro. Nesse contexto, é notório que a o mesmo desempenha um importante papel na produção de alimentos e geração de empregos, no entanto, a maior parte desses produtos são destinados à exportação, deixando a cargo da agricultura familiar a produção para o mercado interno. Desse modo, a expansão da agropecuária, em especial da agricultura familiar, é um importante fator na diminuição no número de desempregados e na segurança alimentar brasileira.

Ademais, em contraste com os efeitos benéficos, a pouca a presença de práticas sustentáveis na agricultura tem gerado severos impactos ambientais. Desde a década de 60, observou-se a chamada “Revolução Verde”, na qual, houve um aumento expressivo na produção agrícola mundial, devido um incremento de novas tecnologias. Por conseguinte, o setor agrícola aumentou sua parcela de contribuição na emissão de poluentes (devido à intensa utilização de agroquímicos) e na degradação do ambiente, sendo, de acordo com a Agência Nacional de Águas, responsável por mais de 50% do consumo de água no Brasil. Dessa maneira, esses empecilhos geram diversas consequências, a  exemplo da poluição de rios e lagos, como também na redução da biodiversidade e escassez hídrica das áreas remanescentes, dando credibilidade ao ilustrado em “Cowspiracy”.

Portanto, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Logo, cabe ao Ministério da Agricultura, por meio de uma portaria, criar um programa de desenvolvimento sustentável, o qual deverá implementar medidas como a concessão de benefícios fiscais para os produtores ecologicamente sustentáveis. O fito de tal ação é diminuir os impactos da agricultura no meio ambiente, mantendo seus benefícios econômicos. Assim, os impactos ao planeta expostos no documentário “cowspiracy” serão gradualmente mitigados.