Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 14/08/2020

" O pensamento no futuro deve ser voltado à natureza. Tal frase de Arne Naess contrasta com as polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil. É fato que esta impacta a fauna e flora nacionais, mas também causa danos a sociedade em geral. Dito isso, faz-se necessário analisar a problemática fruto do passado colonial e intrinsecamente ligada a aspectos econômicos e ambientais.

Ressalta-se, em primeiro plano, o processo de formação do território brasileiro como  precursor da atual configuração agrária. Com isso, percebe-se  a parcial manutenção do Plantation: monocultura, latifúndio e exportação. O primeiro causa o esgotamento da terra e a devastação de espécies animais e vegetais, enquanto o segundo concentra cada vez mais riquezas nas mãos de uma minoria. Além disso, essa convergência fundiária maximiza a exclusão de grupos como quilombolas, indígenas e sem-terra.  Mostra-se, assim, que a obtenção de lucro substitui a importância do bem comum em meio a uma sociedade deturpada.

Cabe mencionar, em segundo plano, os demais embates que tal acontecimento traz. É evidente que, após a Revolução Verde, a mecanização no campo aumentou consideravelmente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o setor agropecuário perdeu cerca de 1,5 milhão de trabalhadores, o que significa o êxodo de um grande número de pessoas, corroborando para o inchaço urbano e para a favelização. Frisa-se, também, o papel da pecuária na compactação do solo já que é, em sua maioria, extensiva e o pisoteamento pelo gado facilita sua ocorrência. Outrossim, o uso de agroquímicos em excesso contamina a água e ameaça a vida dos seres vivos.

Infere-se, portanto, que as polêmicas acerca da expansão do agronegócio possuem íntima relação com aspectos econômicos e ambientais. Dese modo, é imperiosa uma ação do Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Agricultura, para a formulação de uma lei. Ela limitará o tamanho da propriedade por dono e incentivará a produção familiar por meio de investimentos e menor taxação, além de fazer obrigatória a rotação de culturas, a fim de reduzir os danos provenientes do latifúndio. Visando ao mesmo objetivo, intensificar a fiscalização do uso de agrotóxicos. Destarte, o pensamento no futuro estará, realmente, voltado à natureza.