Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 07/08/2020

Solo: símbolo de lucro e opressão

No Brasil, a expansão agrícola se deu início há centenas de anos, mais precisamente com a chegada do homem europeu ao território antes comandado por povos ameríndios, e se estende até à atualidade. Tal período foi marcado por uma extensa bagagem de sucesso, devido aos lucros voltados à uma pequena parcela da população, e de genocídio, tanto do homem quanto do solo.

Dessa forma, deve-se resgatar o histórico da produção agrícola em território brasileiro. No século XVI, com a chegada dos colonizadores portugueses, houve a intensa extração do pau-brasil e posteriormente o demasiado uso do solo para a plantação de cana-de-açúcar e demais culturas agrícolas. Sendo que, tais atividades foram se expandindo e se tornando cada vez mais agressivas ao passar das décadas, gerando uma grande perda da biodiversidade nativa, uma vez que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 70% do desmatamento no país, é causado pela agricultura.

Tal perspectiva, somada aos avanços tecnológicos no campo, que permitiram o uso de agrotóxicos e fertilizantes durante um longo período de tempo, fizeram com que o solo se tornasse limitado, e assim, com que houvesse a necessidade de expandir a agricultura para outras áreas do país, principalmente para a região norte, onde há a fronteira agrícola entre a Amazônia e a região centro-oeste, marcada por disputas de territórios entre os nativos da região e os grandes proprietários de terra, sendo que os últimos, usam de artifícios ilegais para se fixar no território, como visto no processo de grilagem.

Segundo o professor israelense Yuval Harari, a revolução agrícola, que permitiu que o homem passasse do nomadismo ao sedentarismo, é uma fraude, pois deixou de cumprir com o quesito de facilitar a vida do indivíduo, uma vez que gerou ainda mais trabalho e não deu a toda a população o direito sobre o alimento, mesmo que tenha aumentado o montante de suprimentos alimentícios no mundo. A afirmativa de Harari se comprova quando direcionada à problemas como a escravidão, presente na história por centenas de ano e a fome, uma questão ainda muito persistente na atualidade.

Por fim, pode-se concluir que, tanto o homem quanto a natureza, são vítimas da crescente expansão da agricultura, que apesar de abrangente, direciona os seus frutos à apenas uma pequena parcela privilegiada da população. Sendo assim, é necessário que medidas mais rígidas sejam tomadas pelos poderes administrativos do país, para a elaboração de leis que restrinjam a expansão desordenada da agricultura e, principalmente, de programas que façam com que o alimento seja distribuído de forma equivalente às necessidades de cada indivíduo. Só assim a agricultura será um avanço universal.