Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 14/08/2020

“Agro é tech, agro é pop, agro é tudo” é o slogan criado pela rede Globo para caracterizar o agronegócio no Brasil. Por esse viés, é “tech” devido à tecnologia aplicada no campo, “pop” por ser a riqueza do Brasil e “tudo” por não se limitar a alimentos. Entretanto, há quem discorde dessa propaganda por causa do que o agronegócio faz para se tornar essas três coisas, o que gera polêmicas. Diante disso, aponta-se o uso excessivo agrotóxicos e a expansão da fronteira agrícola como parte da problemática, sendo necessário entendê-las para solucioná-las.

Primeiramente, é importante ressaltar que a agricultura é uma das principais atividades econômicas do Brasil, tendo sua origem na colonização com o sistema de plantation (latifúndio, monocultura, voltado para o mercado externo), utilizando-se principalmente do açúcar e continua o crescimento das lavouras até os dias atuais. Ademais, por ser um dos países que mais exporta commodities agrícolas, a produção deve sempre aumentar e, por isso, há polêmica quanto a essa expansão. Nesse sentido, os agrotóxicos são contribuintes, já que dificultam a proliferação de pragas e colaboram com maior colheita. Porém, desde 2008, o Brasil é o país que mais consome essas substâncias no mundo, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), sendo que várias delas são proibidas nos Estados Unidos e na União Europeia. Isso é extremamente preocupante, pois apesar de possibilitar plantações mais rentáveis em número, é prejudicial à saúde humana por ser potencial cancerígeno.

Outrossim, é necessário destacar que a expansão propriamente dita envolve a modificação de fronteiras agrícolas. Como já ressaltado, teve início na Mata Atlântica com a plantação de cana-de-açúcar e, com a interiorização entre os séculos XVII e XVIII, chegou ao Cerrado com predomínio da soja, o que provocou destruição de boa parte desse bioma. Além disso, mais recentemente, o agronegócio tem avançado para o Norte, Floresta Amazônica. Essa situação gera queimadas, desmatamento, conflitos ambientais e sociais. Um exemplo disso é mostrado por estudos da Organização Não-Governamental Conservação Internacional (CI-Brasil), que indicam que se houver uma devastação média anual de 2,3%, em 45 anos, o Pantanal (maior planície alagada do mundo) pode desaparecer, o que representa uma prejuízo ambiental enorme. Assim, ocupar áreas necessárias para a flora e fauna brasileira com agricultura trará danos irreparáveis.

Diante do exposto, percebe-se que, apesar de o agro ser tech, pop e tudo, ainda há o que melhorar. Para que isso ocorra, o Ministério da Agricultura não deve permitir a implementação da PL do Veneno, ou deve reformulá-la, por meio de modificações diretas que promovam menor uso de agrotóxicos, além de estipular áreas máximas de plantação e o reflorestamento, a fim de garantir preservação ambiental.