Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 11/08/2020
A série “Aruanas”, produzida e lançada pelos Estúdios Globo, narra a história das fundadoras de uma ONG de preservação ambiental. Nesse sentido, a trama relata os conflitos pela posse de áreas preservadas na Amazônia e o esquema de crimes ambientais envolvendo grandes empresários. Fora da ficção, é fato que o Brasil conta com uma expansão desenfreada do agronegócio que, infelizmente, gera uma maior concentração fundiária e um aumento dos problemas ambientais e sociais, atingindo, diretamente, a população nacional.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que existe uma crescente centralização de terras produtivas no país, aumentando, dessa forma, as desigualdades sociais já existentes. Nessa perspectiva, cabe citar o Censo Agropecuário de 2019, divulgado pelo IBGE, que comprova que quase 50% de toda área agrícola nacional é ocupada por apenas 1% das propriedades. Dessa maneira, a concentração fundiária causa disputa de terras, uma vez que desfavorece e obriga os pequenos agricultores a concorrer com grandes proprietários que utilizam técnicas avançadas de cultivo. Além disso, a mecanização nesses latifúndios diminui a oferta de trabalho no campo e contribui com o êxodo rural – deslocamento de trabalhadores rurais para os grandes centros urbanos –, já que as classes mais pobres não contam com a possibilidade de trabalho nesses locais.
Por conseguinte, é importante lembrar que as plantações em larga escola necessitam de um maior consumo de agrotóxicos e fertilizantes químicos que podem contaminar o solo. Nesse viés, é conveniente destacar que, de acordo com o levantamento feito com a ONG suíça Public Eye, o Brasil é o país que mais compra pesticidas no mundo, sendo que apenas 12% desse total são considerados pelo Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – como pouco perigosos. Desse modo, o uso desses produtos químicos, além de contaminar o solo e o lençol freático, pode causar intoxicação e problemas de saúde na população, pois não existe uma fiscalização eficiente desses produtos.
Portanto, fica claro que medidas precisam ser tomadas para que exista uma solução para os problemas da expansão do agronegócio. Para isso, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente e o Governo Federal realizem uma distribuição de terras improdutivas para membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, por meio de um cadastro que deverá comprovar a participação do cidadão no movimento. Ademais, o Ministério da Agricultura deve fiscalizar o uso de agrotóxicos considerados perigosos, realizando, anualmente, pesquisas em alimentos produzidos em grandes latifúndios e responsabilizando os proprietários caso ocorra o uso de produtos não autorizados no país. Somente assim, o Brasil solucionará os impasses causados pelo agronegócio.