Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 11/08/2020

As polêmicas geradas pela expansão do agronegócio são, além de uma série de problemas criados pelo próprio homem, uma preocupação para todas as gerações, pois, conforme o tempo passa, mais o planeta necessita de planejamento e competência quanto à preservação ambiental. Nesse contexto, em especial no Brasil, essa problemática ganha contornos de desespero, tendo em mente que, nos últimos anos, segundo o IBGE, o índice de crescimento do desmatamento florestal no país foi superior a 39% e o de efetivo combate foi inferior a 6%. Diante dessa realidade assustadora, é preciso repensar o comportamento social e o estatal deste início de terceiro milênio, no sentido de reeducar a sociedade e de redirecionar as prioridades governamentais, senão, o futuro estará seriamente comprometido.

Em princípio, quando se leva em conta, por exemplo, que o país sustenta, atualmente, de acordo com a revista Ambiente & Sociedade, o status de segundo no ranking do desmatamento florestal, torna-se perceptível a gravidade do caso. Isso porque, embora sejam criadas leis de proteção às florestas, a exemplo da lei 12.651, os sistemas jurídico, legislativo e executivo estão entre os piores do globo, com uma margem de mais de 49% de crimes ambientais, sequer, investigados, conforme o Greenpeace. A consequência disso é a degradação ambiental, com a destruição das populações nativas da flora e da fauna, no que tange aos lucros do agronegócio, em decorrência da ganância das autoridades competentes. Tudo isso, atrelado à ausência de políticas pactuadas com o bem-estar socioambiental.

Nesse aspecto, a efetividade do controle racional expansivo do agronegócio no Brasil é impossibilitada em razão da escassez de fiscalização da abertura de novas áreas florestais para o plantio de cereais e para o desenvolvimento pecuário, além da necessidade de desenvolvimento econômico do país. Nessa lógica, a vegetação nativa fica a mercê de um meio periculoso e desprotegido, e o pior é o paradoxal cenário, no qual é submetida à exploração irracional, como matéria abundante e infinita, fato ratificado nas palavras de de Aristóteles, segundo o qual “a natureza não faz nada em vão”, pois é explícita a pacificidade social em desconformidade com a lei 12.651, frente à vulnerabilidade da biodiversidade natural brasileiras.

Diante desse cenário exploratório e irracional, urge a tomada de medidas incisivas, para reverter esse quadro de iminente devastação. Para tal, as autoridades governamentais, como, por exemplo, o Ministério da Agricultura, precisam implementar políticas públicas de regulamentação, de fiscalização e de execução das normas atinentes à proteção do meio ambiente e ao crescimento socioeconômico do país, com o desenvolvimento de programas de agropastoril sustentáveis, evitando-se os autos índices de desmatamento. Dessa forma, a expansão do agronegócio no Brasil será inócua e viável.