Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 15/08/2020
O agronegócio é o modelo de gestão de agricultura que surgiu após a Revolução Verde, cujo objetivo principal é atender aos interesses do capital. Conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil(CNA), o agronegócio representa 21% do PIB brasileiro. No entanto, apesar de gerar lucros, a sua expansão resulta em males ambientais e sociais. Cabe, portanto, identificar esses problemas e encontrar uma alternativa mais sustentável ambiental e socialmente ao ‘‘agrobusiness’’.
Em primeiro lugar, faz-se mister salientar a degradação do ecossistema causada pela contínua expansão do agronegócio. De acordo com os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), ao todo, em 2019, 474 agrotóxicos foram registrados, a maior quantidade dos últimos 14 anos. Esses são prejudiciais ao meio ambiente pois exterminam populações biológicas inteiras e poluem o solo e o ar. Da mesma maneira, o sistema de monoculturas destrói a natureza. Por exemplo, a cultura de soja, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Empraba), na safra de 2006/2007, ocupou uma área de 20.682 hectares, para a de 2020/2021 estão previstos 38.191 hectares, ou seja, quase o dobro. Para que o aumento da área de plantio seja realizado, é necessário o desmatamento, ligado à perda de biota. É evidente, dessa maneira, que a atividade agrícola predominante não é ecológica e sustentável, atendendo, tão somente, ao capitalismo.
Além disso, há a problemática social. Em 2019, a Proposta de Emenda Constitucional 187/16, texto que libera atividades agropecuárias e florestais em territórios indígenas, foi aprovada na Câmara de Deputados. Dito de outro modo, as invasões de terras indígenas foram facilitadas pelo Estado. Este grupo social, historicamente, é vulnerável a ataques sucessivos que ferem sua integridade. Mais uma vez, o agronegócio está trabalhando em prol dos interesses dos latifundiários, sem levar em consideração as populações, desta feita, de seres humanos. Ainda que esse modelo esteja em vigor hodiernamente, existem outras opções de gestão da agricultura que não ferem a integridade do meio natural e nem da sociedade, causando benefícios, aliás, que é o caso da agroecologia. A ilustrar, ela é posta em prática pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST), em uma ‘‘Comunidade que Sustenta a Agricultura’’, onde as pessoas respeitam o meio ambiente e a coletividade.
Dessarte, é possível encontrar uma solução para as problemáticas ocasionadas pela expansão do agronegócio. Primordialmente, o MAPA deve iniciar uma transição dos moldes agrícolas atuais para moldes agroecológicos, seriam utilizadas sementes orgânicas e trabalho coletivo, de tal maneira, não é necessária tamanha destruição do meio natural e nem a invasão das terras já ocupadas.Desse modo, a agricultura terá como príncipio o desenvolvimento real e não o lucro a qualquer custo.