Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 16/08/2020

No clássico da ficção científica “Duna” de Frank Herbert -premiado escritor americano- a ecologia é vista no planeta deserto Arrakis como um fator crucial para o desenvolvimento de um mundo equilibrado e habitável. Não obstante, esse apreço por uma existência harmônica parece não ter se concretizado no Brasil frente aos inúmeros entraves causado pela expansão do agronegócio. Nesse sentido, convém analisarmos tanto o paradoxo da expansão do território agropecuário de maneira autodestrutiva, quanto a influencia de grandes latifundiários na política.

Primeiramente, há quem acredite na proporcionalidade infinita de que quanto maior a área geográfica explorada maior a produtividade das safras, ao contrário do que se pode pensar a expansão irrestrita da fronteira agrária brasileira pode causar danos irreversíveis, não só ao ecossistema, como também a própria atividade agrícola. De acordo com Antonio Donato Nobre, pesquisador do Inpe, a evapotranspiração da Floresta Amazônica é essencial para o regime de chuvas da América Latina. Diante disso, é deplorável que a ganância capitalista coloque em risco até a fonte de lucro que a possibilita.

Outrossim, observa-se a influencia política do lobby agropecuário brasileiro que visa os interesses da elite econômica latifundiária e reduzem decisões de interesse plural à imposições fundadas em alianças partidárias. A título de exemplo, uma matéria publicada pelo por portal de notícias G1 sobre o número record de agrotóxicos aprovados somente no ano de 2019. Dessa maneira, reitera-se a crucialidade de uma tomada de decisão que considere o interesse de consumidores, ambientalistas, além de agricultores de pequeno e grande porte.

Faz-se necessário, portanto, que o Governo estabeleça um pacto pelo desenvolvimento sustentável do agronegócio, por meio de uma liderança colaborativa no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com a participação de cientistas, ativistas ambientais, lideres indígenas, ademais agricultores das diversas escalas. Espera-se, com isso, tanto que a economia agrária brasileira se desenvolva considerando acordos entre os interesses múltiplos no território, quanto a criação de uma humanidade mais dinâmica como a imaginada nos livros de Herbert.