Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 13/08/2020
As “Sociedades da Escassez”, segundo o sociólogo Gamal Mokhtar, são aquelas que objetivam vencer, e até destruir, a natureza dentro de um ideal de progresso. Nesse sentido, a expansão do agronegócio no Brasil mostra-se positiva economicamente; entretanto, é perceptível, indubitavelmente, as consequências socioambientais em toda a extensão do avanço da fronteira agrícola, urgindo pois intervenções governamentais plausíveis. Assim, é importante compreender a evolução da agropecuária no Brasil e a extinção de grandes ecossistemas.
Mormente, com a chegada dos portugueses ao Brasil, a agricultura foi instaurada e desenvolvida de acordo com o sistema “plantation” (focado na agroexportação). Sob tal óptica, no século XIX, o cultivo do café permitiu a consolidação da aristocracia rural, vigente até a atualidade, e, como consequência, colocou a agricultura em posição de ramo econômico mais lucrativo do país. Desde então, a ampliação de terras, a utilização de máquinas e agrotóxicos se tornaram um artifício para a elevação da produtividade.
Outrossim, Karl Marx afirma em sua obra “O Capital” que o homem capitalista preocupa-se apenas com o lucro, em detrimento da resultância de suas ações. A realidade do agronegócio no Brasil, nesse viés, condiz com a teoria marxista, haja vista que ecossistemas foram e estão sendo perdidos, precipuamente, pelo avanço da fronteira agrícola, como o caso da Mata Atlântica; além disso, tal expansão coloca em risco a saúde dos consumidores de produtos enxarcados de agrotóxicos, por conter muitos insumos prejudiciais ao corpo humano. Portanto, com a efetiva intervenção do Governo, a biodiversidade e o bem-estar social serão preservados.
Diante do exposto, apesar dos benefícios econômicos trazidos pela expansão do agronegócio, observa-se empasses socioambientais diante do crescimento da margem agrícola, como o agrotóxico e o desmatamento. Dessarte, compete ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento fomentar o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a agropecuária - como a cultivação vertical e a biotecnogia, ambos muito aplicados em países pequenos, a exemplo do Japão -, por meio de investimentos em universidades e polos tecnológicos, a fim de aproveitar os benefícios do agronegócio e minimizar os aspectos negativos do crescimento da agricultura e da pecuária. Logo, ao seguir a referida ação, será possível desvincular o Brasil do conceito de “Sociedade da Escassez” de Gamal Mokhtar.