Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 16/08/2020

O escritor português, José Saramago, acreditava que cada indivíduo é o conjunto de memórias e de responsabilidades assumidas, sem as memórias ele não existe e sem suas responsabilidades seria inviável existir. No processo de expansão do agronegócio no Brasil, esse pensamento se torna conflituante, uma vez que a responsabilidade pelos atos são mínimas e a memória brasileira aparenta não possuir valor no processo produtivo. Por essa razão, a maneira que a expansão do agronegócio brasileiro ocorre precisa ser alterada, pois não existe responsabilidade histórica e social.

A priori, a atividade econômica extrativista sustenta o Brasil há anos. Desde seu descobrimento, as terras brasileiras foram forte aliadas na geração de renda com o cultivo e exportação de café, soja e tabaco. Pelo fato do agronegócio ser um vetor crucial do crescimento econômico, sempre houve grandes disputas territoriais pelos produtores agrícolas. Por essa razão, a expansão do agronegócio é polêmica, visto que não se mede consequências para adquirir mais lucro, e isso é evidenciado nas invasões violentas em terras indígenas e quilombolas, tornando evidente o desrespeito com a história da nação e com as raízes que formaram o Brasil.

Além disso, o agronegócio brasileiro precisa começar a conciliar sustentabilidade com a expansão do setor. O fato do Brasil ser o país que mais consome agrotóxico no mundo e também ser o maior produtor de café, laranja e soja é preocupante. Uma vez que, o uso de tecnologias obsoletas e a falta de investimento para otimizar o progresso do setor agrícola, causa sérios danos à saúde dos consumidores e ao meio ambiente, como mortes por intoxicações alimentares, extinções da fauna e flora e contaminações de lençóis freáticos. O emprego exacerbado de agrotóxicos, que possuem função de eliminar as pragas, que também são organismos vivos, evidencia que o agronegócio brasileiro visa expandir sendo irresponsável com as esferas social e ambiental.

Diante dos fatos expostos, é possível concluir que as polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil traz consequências graves a nação, pois a vida está sendo desrespeitada e a história apagada mediante o desejo do aumento da produção agrícola. Para que isso não ocorra, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, impor limites na expansão de terras, realizando maior fiscalização nos limites das terras indígenas e com a aplicação de multas aos produtores que as invadirem; também se faz necessário que os ministérios estipulem uma data e quantidade limite de agrotóxicos, para substituí-lo por tecnologias mais avançadas e menos invasivas as esferas da vida. Somente com essas medidas, a expansão do agronegócio será viável de existir, pois haverá responsabilidade social, ambiental e econômica.