Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 14/08/2020
Durante o século XX surgiu, na França, um conjunto de teorias sociais, políticas e científicas, denominado Positivismo. Essa corrente pregava o uso da razão para analisar o meio social e, com isso, criaram a lei do progresso, a qual afirmava que toda sociedade evolui de forma linear e universal. Entretanto, as problemáticas trazidas pela expansão do agronegócio configura-se como uma chaga social que dificulta o desenvolvimento do Brasil. Este fato é decorrente, principalmente, da inobservância estatal e da indiferença da sociedade em relação ao tema.
Primeiramente, quanto ao papel do Estado, é importante voltar a atenção para o documento promulgado em 1988, conhecido como “Constituição cidadā”. Este garante, em seu artigo 225°, o dever da população em preservar e defender o meio ambiente, apesar do cenário atual revelar a existência de práticas que divergem desse princípio. A esse respeito, Thomas Jefferson afirmava que “a aplicação das leis é mais importante que a sua elaboração”. Tomando a frase do terceiro presidente estadunidense, nota-se a dificuldade do poder público em concretizar seus mandamentos constitucionais, o que facilita a degradação inconsequente da natureza.
Em segundo lugar, é pertinente salientar que a sociedade está cada vez mais consumista, e para atingir as necessidades da população, é necessário o uso exagerado de compostos químicos como agrotóxicos e fertilizantes nas produções de alimentos, ocasionando graves consequências para o meio. A esse respeito, Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade líquida” debate sobre a instantaneidade e o individualismo dos cidadãos. De certo, sobre a afirmativa do autor é notório que não há preocupação com as gerações futuras e com a preservação do ecossistema.
Pra minimizar a problemática das polêmicas acerca do crescimento do agronegócio no Brasil, é fundamental uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada e adote a articulação de esforços entre governo e sociedade. Logo, é inerente ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, efetivar seus mandamentos constitucionais e investir em órgãos públicos, como o IBAMA, para uma melhor fiscalização das plantações, afim de garantir o cumprimento das leis ambientais presentes na constituição. Em adição, cabe ao CONAR, que é responsável pela publicidade governamental, promover nas mídias sociais e televisivas propagandas sobre a importância do agronegócio sustentável e as consequências positivas que isso trará para todo o meio ambiente. Efetivando esses passos, realidade brasileira entrará em ressonância com a lei do progresso proposta pelos positivistas.