Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 14/08/2020
Na obra “Primavera Silenciosa”, da escritora Rachel Carson, é retratado um futuro distópico no qual o uso das técnicas agrícolas, associadas aos desenvolvimentos tecnológicos, propiciam a existência de uma natureza cada vez mais ameaçada. Nesse sentido, fora da ficção, é notório que tal prerrogativa está intimamente relacionada ao cenário hodierno, evidenciado pelas polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil. Diante disso, torna-se necessário evidenciar as consequências geradas por essa temática, uma vez que ela ocasiona danos não apenas ao meio ambiente, mas também gera problemas à saúde humana devido à intensa utilização de agrotóxicos nesse setor.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que, segundo dados do jornal “Folha de São Paulo”, o agronegócio é responsável por representar cerca de 21% do PIB ( Produto Interno Bruto) brasileiro, o que coloca o país na segunda posição mundial no que tange a esse aspecto. Dessa forma, consoante ao exposto pela obra de Carson, infere-se que tal dado está, muitas vezes, relacionado aos problemas ambientais que vigoram na atualidade, haja vista que, conforme exposto pela plataforma do “G1”, esse ramo recebe uma alta taxa de agrotóxicos em seu âmbito, causando, assim, impactos na variedade da fauna, flora e a consequente degradação do solo, o que põe em xeque a biodiversidade existente no Brasil.
Ainda nesse viés, cabe destacar, também, os potenciais riscos à saúde humana trazidos pelo intenso uso desses mecanismos, uma vez que, de acordo com o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor), o surgimento de doenças como alergias, depressão, resistência a antibióticos, infertilidade e, até mesmo, o câncer, foi associado ao consumo de alimentos que receberam elevada proporção de agrotóxicos. Com isso, urge que medidas sejam tomadas o quanto antes, com o fito de melhorar o contexto no qual a sociedade se encontra inserida, bem como garantir a manutenção do ciclo biológico existente na natureza.
Em suma, diante dos conflitos abordados, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir no desenvolvimento e divulgação da prática agroecológica, que visa a adoção de medidas sustentáveis, o que garante o equilíbrio entre políticas sociais, econômicas, ambientais e ainda preserva a saúde de quem a utiliza. Tal ação poderia ser realizada por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia, bem como pelo alerta dos benefícios proporcionados por esse setor nos diversos meios midiáticos, como, por exemplo, TV e redes sociais, com o intuito de diminuir os danos na natureza e construir um espaço ecologicamente correto. Dessa forma, pode-se almejar um futuro diferente daquele representado pela obra de Rachel Carson.