Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 15/08/2020

De acordo com Paul Watson, cofundador do Greenpeace, inteligência é a habilidade das espécies para viver em harmonia com o meio ambiente. Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que a expansão do agronegócio tem dizimado de forma exacerbada áreas florestais. Isso ocorre ora devido à péssima educação ambiental da população, ora em decorrência do sentimento de impunidade dos empresários de tal ramo.

A priori, é imperioso relacionar a precária educação ambiental da população com o pensamento de Adorno e Horkheimer. Segundo os sociólogos da Escola de Frankfurt, a educação mundial é baseada na Indústria Cultural, se preocupando mais com conceitos do que com a reflexão subjetiva, para, assim, ocorrer uma homogeneização do  comportamento das pessoas em consonância com o sistema produtivo. Sob esse viés, ao não estimular a autorreflexão e a instrução dos jovens com relação à sustentabilidade, a educação contemporânea forma indivíduos insensíveis acerca dos impactos ambientais. Com isso, a exploração desenfreada da natureza se mantém sem resistência significativa.

A posteriori, é imperativo concatenar o sentimento de impenitência com a perspectiva de Thomas Jefferson . Conforme o ex-presidente dos Estados Unidos, a aplicação das leis é mais importante do que sua elaboração. Nessa lógica, ao se perscrutar os pilares econômicos vigentes no país, nota-se que o desrespeito às leis ambientais é frequente, causado pela fiscalização e repressão inadequadas realizadas pelo órgão governamental responsável. Isso fica claro com a expansão da produção pecuária e da monocultura de grãos no Cerrado e na Amazônia, sem um controle significativo para com a devastação de  biomas, imprescindíveis para a manutenção do equilíbrio do ecossistema em geral.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível o controle da expansão da fronteira agrícola. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União(TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de disciplinas focadas na educação ambiental em escolas públicas e palestras em instituições privadas, por meio da contratação de ecólogos, que busquem induzir os indivíduos a debaterem a respeito dos problemas ambientais e a importância da sustentabilidade. Em suma, deverão ser realizadas atividades interativas e práticas como, por exemplo, o desenvolvimento criativo que estimule a formulação de possíveis mudanças para o sistema atual,com a finalidade de tornar os jovens aptos a ingressarem na sociedade, com mentalidade empreendedora, ecológica e livre do comportamento que vem destruindo o legado natural do planeta. Dessa forma, será possível a harmonia com o meio ambiente, e os brasileiros se enquadrarão na inteligência caracterizada por Paul Watson.