Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 15/08/2020
De acordo com o economista Thomas Malthus, a insegurança alimentar por conta do aumento populacional seria um problema que poderia dizimar populações inteiras. Esse antigo pensamento, junto com a demanda econômica, inspirou o aprimoramento de técnicas agropecuárias a fim de aumentar a produtividade. Contudo, o conflito de interesses políticos e econômicos geram impasse no monitoramento do agronegócio, de modo a criar polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil, ao passo que produtividade e dinheiro são colocados a frente de sustentabilidade e preservação ambiental.
Primordialmente, vale ressaltar o papel da falta de mapeamento das florestas brasileiras na dificuldade de incentivar a sustentabilidade. Isso se dá pois, ao passo que não há estudo eficaz das áreas, é difícil fazer delimitações adequadas das regiões que serão preservadas e as que poderão ser usadas sob fiscalização. Ademais, a falta de conhecimento das micro regiões pelo governo facilita atos como a “grilagem”, onde um indivíduo mente ser dono de terras através de documentos falsificados, a fim de obter regiões que antes seriam destinadas à preservação, corroborando com a polêmica acerca do tema.
Ainda, podemos observar a descontrolada degradação natural, mesmo havendo leis florestais, já que não sabemos até que ponto tais regras estão sendo respeitadas, por conta da dificuldade de monitoramento florestal. Além disso, as leis para preservação acabam sofrendo influência de bancadas ruralistas que votam a favor de códigos mais brandos, que facilitem a exploração de recursos naturais, representando um claro impasse político-ambiental. Assim, ao mesmo tempo que há o fomento da economia e da segurança alimentar, também sofremos consequências da degradação, como alterações do clima e períodos de seca.
Logo, a fim de harmonizar os interesses econômicos com os ambientais, assim como manter a qualidade de vida da sociedade, é preciso tratar do problema desde sua base: cabe ao governo federal direcionar verbas para pesquisas tecnológicas eficazes de mapeamento das florestas, de modo a haver conhecimento de toda as microrregiões florestais existentes, inviabilizando a falsificação de documentos de obtenção de áreas que seriam usadas para uso ilegal de recursos. Além disso, é imprescindível a criação e aprovação de leis, pelos nossos deputados federais, que proíbam bancadas ruralistas de interferirem no código florestal, a fim de evitar conflito de interesses.