Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 15/08/2020

A alimentação é essencial para o ser humano. A chamada Revolução Neolítica, ou seja, o surgimento da agricultura, foi definitivamente um marco para humanidade, alterando a relação homem, natureza e sociedade. Thomas Malthus, porém, já prenunciava que essa relação seria conflituosa e geraria problemas sociais,  todavia ele não previu os avanços científicos relacionadas à agricultura. E são justamente essas avanços que proporcionaram uma das principais polêmicas da atualidade: a expansão do agronegócio, seu nocivo impacto ambiental e a preocupante dependência econômica brasileira.

A degradação ambiental promovida pelo agronegócio é fruto direto da forma como esse setor da economia se estrutura e se reproduz. Se na agricultura familiar prioriza-se a produção para o mercado interno, produtos diversificados utilizando pouca mão de obra e baixos investimentos financeiros, o agronegócio opões-se a essa realidade e assemelha-se mais as plantations do período colonial: extensos latifúndios, produção monocultora e extrovertida, substituindo a mão de obra escrava por assalariada e acrescentando agroquímicos e maquinários. Esse sistema agrícola choca-se com a realidade atual mais preocupada com o ambiente, marcada pela ascensão de produtos orgânicos, ao se valer de uma estrutura agressiva ao ambiente, que contamina solos, aquíferos, corpos d’água, que invade-se terras quilombolas e indígenas, que claramente prioriza o lucro em detrimento da função social da terra, da continuidade de tradições e culturas de povos tradicionais. Vicente Almeida, da Embrapa, afirma que a alimentação e o ambiente são as duas principais formas de se obter saúde, todavia o agronegócio não fornece nenhuma das duas considerando que a soja, por exemplo, o maior produto desse sistema, é utilizada para fazer ração animal.

Dessa realidade parte outro fator também preocupante, o Brasil esta cada vez mais economicamente dependente do agronegócio.  Isso porque a cada ano sua participação no PIB do país aumenta, consequentemente o país torne-se mais vulnerável a mudanças internacionais, como aconteceu após a crise de 29 quando Getúlio Vargas queimou café numa tentativa de conter a queda no preço da commoditie, e cada vez mais próximo de um cenário de insegurança alimentar, pois estima-se que a agricultura familiar abastece cerca de 60% do mercado interno, porém ocupa menos de 30% das terras agricultáveis do pais. Ambos fatores estão ligados a expansão do agronegócio cujas consequências são majoritariamente negativas.

Portanto, uma solução para os problemas associados ao agronegócio seria a aposto do governo federal num desenvolvimento sustentável, que também é lucrativo, mas acima de tudo é responsável.