Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 27/08/2020

A história da agricultura no Brasil começa já no início do período colonial, quando as primeiras mudas de cana-de-açúcar foram trazidas na expedição de Martim Afonso de Sousa. Com o passar dos séculos, apesar das mudanças econômicas, sociais e políticas, a exportação agrícola manteve sua grande importância e se consolidou como base da economia de exportação do país. Contudo, devido à dependência do produto agrícola, a expansão do agronegócio acaba se desenvolvendo de forma inconsequente, sem levar em conta fatores ambientais e sociais.

Primeiramente, a expansão da fronteira agrícola é uma das principais ameaças para os biomas brasileiros. Atualmente, as terras destinadas ao plantio, principalmente de soja, se ampliam às custas do bioma do cerrado na região centro-oeste e, além disso, geram o desmatamento do bioma amazônico para relocação das áreas de criação de gado. A agricultura predatória continua sendo praticada, visando o lucro, mesmo que as inovações tecnológicas permitam aumento de produtividade como substituição da ocupação de novas terras.

Além dos prejuízos ambientais, a dinâmica da produção agrícola atual ameaça o âmbito social. Os crescentes investimentos no agronegócio ocorrem em detrimento do apoio à agricultura familiar. Isso compromete as dinâmicas sociais do campo e, até mesmo o PIB, visto que as plantações dos minifúndios à base de mão de obra familiar são a base do sustento de milhares de famílias, do abastecimento do mercado interno e correspondem a mais de 30% do PIB segundo dados do instituto brasileiro de geografia e estatística.

Desta maneira, com intuito de aproveitar ao máximo o potencial do agronegócio, mas sem comprometer o meio ambiente ou as estruturas sociais do campo, a interferência do estado nesse setor da economia deve ser revisada. É importante que o ministério da agricultura e do meio ambiente intervenha na expansão da fronteira agrícola, incentivando a aplicação de tecnologias para aumento da produtividade. Além disso, este deve também manter uma proporcionalidade constante entre investimentos na agricultura de exportação e na familiar, com objetivo de manter as dinâmicas sociais dependentes do última.