Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 11/09/2020

O filósofo Thomas Mores, em sua obra Utopia, idealizou uma sociedade com parâmetros considerados perfeitos com ausência de conflitos. Sob esse viés, a realidade brasileira encontra-se distante da descrita pelo autor, uma vez que a expansão do agronegócio formulou um abismo, favorecendo simultaneamente o desenvolvimento econômico e problemas sociais e ambientais. Dessa forma,surgem polêmicas acerca desse empreendimento, devido aos conflitos de terras com os indígenas e as queimadas e desmatamento, necessitando conciliar o avanço com a preservação.

Mormente, a Revolução Verde, iniciada em 1950 no México, possibilitou a adoção de novas tecnologias e técnicas agrícolas, introduzindo a prática de agronegócio no cenário econômico. Desse modo, essas modernizações aumentaram a produção e a busca pela ampliação de terras com o objetivo de acompanhar os interesses comerciais. Consequentemente, esse crescimento acelerado dessa ação refletiu de forma direta nas reservas indígenas, pois iniciou o debate acerca da revogação das demarcações para expandir o poder aquisitivo financeiro diante da atividade mercadológica, acarretando conflitos armados e uma violência normatizada contra os nativos.

Ademais, o agronegócio idealizou um dualismo na atual conjuntura, em razão de forma simultânea favoreceu o progresso e os danos ambientais, como queimadas e desmatamentos, sendo essencial a conciliação. Segundo o renomado filósofo Jean- Paul Sartre, o comportamento coletivo é o caminho para o real avanço de uma nação a fim o bem-estar social. Nesse cenário, torna-se primordial regulamentar essa atividade agrícola com uso de técnicas sustentáveis baseadas nos grandes moldes dos países desenvolvidos, garantindo uma melhor qualidade de vida  e crescimento econômico. Logo, as polêmicas acerca desse empreendimento não interferiu na expansão, mas acarretou uma mudança da mentalidade da sociedade perante os efeitos naturais e humanos.

Dessarte, o Estado, na figura do Poder Legislativo, deve promover a elaboração de um projeto de lei, de caráter emergencial baseado na reformulação das Leis ambientais e intensificando as fiscalizações, por meio do investimento no aumento de Delegacias do Meio Ambiente e parceria com a Fundação Nacional do Índio, os quais assegurem o direito a demarcação de terras e a fiscalização das fronteiras agrícolas. Além da aplicação de verbas em tecnologias sustentáveis, conciliando o avanço econômico e a preservação cultural e natural. Por fim, essas medidas têm o objetivo de proporcionar melhor qualidade de vida e o fim do contexto de desmatamento e violência normatizada.