Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 15/09/2020

A Constituição Federal Brasileira reforça o Estatuto da Terra ao exigir o aproveitamento correto do campo sem destruir o meio ambiente e a garantia do bem-estar dos trabalhadores. No entanto, o avanço do agronegócio, aliado ao processo de mecanização do campo, representa uma clara evidência da utopia constitucional a partir dos malefícios causados. Nesse sentido, o descaso estatal com a agricultura familiar e a crescente devastação ambiental representam alguns dos problemas causados pela nova realidade rural brasileira.

Em primeiro lugar, “A Metamorfose”, obra de Franz Kafka, retrata o processo de depreciação e abandono do protagonista por conta da condição na qual se encontra. Desse modo, a materialização da ficção na realidade brasileira é observada na negligência estatal em garantir condições básicas para os indivíduos da agricultura familiar, posto que são esquecidos e apagados pela evolução do agronegócio. Prova disso, é a persistência do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra quanto à exigência de apoio governamental em garantir condições básicas e a devida divisão de terras. Dessa forma, a marginalização e o êxodo rural tornam-se realidades concretas na vida desses grupos familiares.

Além disso, a crescente devastação do meio ambiente tem se tornado um panorama nacional cada vez mais materializado. A exemplo disso, um estudo feito pela revista “Science” na qual associa o avanço do desmatamento ilegal ao progresso do agronegócio brasileiro. Diante disso, o aumento da destruição ambiental potencializa a redução da biodiversidade, a qual sofre com a extinção de várias espécies de animais e vegetais e afeta, também, o próprio ser humano. Logo, percebe-se que o homem age como o próprio “selecionador natural”, analisando sob a perspectiva evolucionista, proposta por Charles Darwin.

Portanto, para que o avanço do agronegócio promova efeitos positivos em todos os âmbitos influenciados, são importantes medidas interventivas. Para isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve investir em recursos básicos que atendam aos grupos familiares vulneráveis, a partir da implementação de programas que visem o fornecimento de alimentos, saúde e educação, os quais auxiliarão na melhoria da qualidade de vida, assim como incentivos governamentais para a Agricultura Familiar e a devida divisão de terras. Assim, também é importante a atuação do Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com o IBAMA, na aplicação de medidas punitivas contra crimes ambientais, os quais poderão ser garantidos por uma fiscalização eficiente, colaborando para a recuperação de áreas degradadas e um futuro com maiores  perspectivas ambientais.