Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 06/10/2020

Agronegócio: Cultivando o lucro

O agronegócio é fundamental para a economia brasileira desde as Capitanias Hereditárias no século XVI e embora esse sistema não tenha prosperado no país o seu legado, o lucro, permanece até os dias de hoje. Não é difícil perceber que, para expandir o agronegócio, a flora e a fauna brasileira sofrem incontáveis prejuízos e criando assim várias polêmicas, sendo umas das principais a progressiva expansão da fronteira agrícola e os métodos utilizados para potencializar a produção e prevenir contra o ataque de pragas nas plantações.

Em primeiro lugar, é necessário refletir sobre a progressiva expansão da fronteira agrícola no Brasil. Para atender a demanda nacional e internacional, os latifúndios produtores se apropriam, com desmatamentos e queimadas, de áreas que deveriam ser conservadas e, como consequência, prejudicam o equilíbrio ambiental desses ecossistemas. Prova disso é que o Cerrado, bioma onde a produção da soja de exportação brasileira está concentrada, é um dos “hot spots” mundiais, ou seja, é uma região altamente ameaçada de extinção. Com isso, fica claro que a capacidade de degradação do ser humano é muito superior à de regeneração da natureza.

Outra face cruel desse contexto se trata dos métodos utilizados para potencializar a produção e prevenir contra o ataque de pragas nas plantações. Os agrotóxicos, por exemplo, são defensivos agrícolas largamente utilizados que, além de causarem malefícios aos seres vivos, também podem contaminar solos e córregos, de modo a dificultar a sobrevivência dos animais e afetar a biodiversidade nesses locais. Acerca disso, existem políticas que incentivam a comercialização de produtos orgânicos, que não fazem uso desses agentes químicos, mas o seu alto preço é um obstáculo à democratização desses alimentos.

À vista disso, fica claro que o agronegócio, se não praticado de forma responsável, pode causar vários danos ao meio ambiente. Para dirimir esse problema, ONGs, juntamente com a mídia, poderiam conscientizar a população a respeito desses prejuízos, por meio de comerciais e debates públicos, e incentivá-las a pressionar o Poder Público para a punição daqueles que desrespeitem as normas ambientais do país, podendo ser com multas ou embargo da produção em casos mais graves, a fim de evitar maiores estragos nos biomas brasileiros. Além disso, o Governo pode estimular a venda de alimentos orgânicos, através de incentivos fiscais, para prevenir contra doenças e à perda de biodiversidade dos ecossistemas.