Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 10/10/2020

O documentário “Cowspiracy” revela a realidade por trás do agronegócio, expondo a destruição causada pelo mesmo nas florestas e solos mundiais. No Brasil, essa indústria aumenta suas fronteiras a todo momento e, apesar de possuir grande participação no PIB nacional, é a principal responsável pelo desmatamento da Amazônia e pela invasão de terras indígenas. Dessa forma, urge que a problemática em análise seja revertida por meio de uma maior fiscalização de leis ambientais e pela valorização da alimentação orgânica, sem o excesso dos tão perigosos agrotóxicos.

Em primeiro lugar, destaca-se a necessidade de colocar em pauta os malefícios dos agroquímicos. Muito utilizados nas práticas agrícolas, são eles os responsáveis pela eutrofização de rios e  pelo envenenamento e empobrecimento de solos, causando a morte e a extinção das mais diversas espécies. Segundo o relatório publicado organização Public Eye em 2017, o Brasil é responsável por consumir 18% dos pesticidas globais. Com isso em mente, percebe-se a polêmica desinformação causada pela Rede Globo ao exibir diariamente a campanha publicitária “Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo”; caso a afirmação nela contida fosse verdadeira, o agronegócio não seria o principal aliado do agravamento do efeito estufa e suas mais diversas consequências por conta da enorme produção de seus gases tóxicos.

Em segunda instância, é importante que se fale a respeito da questão indígena. Com a pandemia do COVID-19, a agroindústria avança como nunca e os garimpeiros realizam diversas invasões a territórios indígenas e de famílias ribeirinhas. Com a disputa territorial, o agronegócio coloca em perigo a vida da população nativa brasileira, que carrega uma enorme herança histórico-cultural com suas lutas. Além disso, as queimadas no Cerrado e na Amazônia — provenientes do avanço da fronteira agrícola — nunca foram tão intensas; de acordo com o INPE, mais de 20 mil focos de incêndio já foram registrados no território do Cerrado. As chamas não podem continuar dominando o território nacional.

Por conclusão, urge que as diversas leis ambientais brasileiras tenham maior fiscalização por meio de ações do governo federal que sejam verdadeiramente favoráveis à proteção do meio ambiente. Ademais, cabe às escolas o incentivo à maior valorização de alimentos orgânicos nas merendas escolares, por meio de investimentos das Secretarias de Educação. É preciso negar o modelo atual do agronegócio e buscar aplicar conceitos de sustentabilidade dentro do mesmo, desenvolvendo — com o auxílio de ações midiáticas — nos indivíduos uma mentalidade de compromisso socioambiental comunitário. Somente desta forma os problemas causados pela expansão do agronegócio poderão ser minimizados e o Brasil, com sua enorme diversidade de fauna e flora, estará verdadeiramente seguro.