Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Segundo Albert Schweizer - filósofo, organista e médico alemão -, o mundo se tornou perigoso porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de dominarem a si mesmos. Atualmente, o agronegócio representa um terço de todo o PIB do Brasil, e 70% da água tratada é direcionada à agricultura e à pecuária, sendo mais comum encontrar áreas de produção intensiva do que campos ou florestas. Essa é uma questão social hodierna que contrapõe, diretamente, o mau gerenciamento do agronegócio no que diz respeito ao meio ambiente e à saúde pública, cada vez mais afetada pelo uso excessivo de agrotóxicos nas lavouras.

Nesse contexto, um estudo feito pela FAO, agência especializada da ONU, diz que 80% dos desmatamentos ocorreram para a ampliação de pastos para a pecuária. A exemplo disso, a floresta amazônica é um dos alvos recorrentes de desmatamento, sendo devastadas tanto a flora quanto a fauna, ocasionando a perda de biodiversidade, e o risco de extinção de espécies. Além disso, muitas das técnicas executadas de forma inadequada acabam por causar a degradação do solo, tornando-o improdutivo após alguns anos, sequenciando impasses ambientais e econômicos aos produtores, que irão procurar sempre novas áreas para continuar a plantação, perpetuando o problema.

Não obstante, no que tange à agricultura, o uso exacerbado de agrotóxicos sem as preocupações exigidas causam graves problemas aos rios e lençóis freáticos, contaminando todas as formas de vida nas águas, além da contaminação de alimentos. Gera-se, assim, um paradoxo entre o aumento da produtividade e a saúde dos consumidores e dos próprios agricultores, uma vez que dados da Buralli revelam altos índices de intoxicação dos trabalhadores e pouca assistência. Consequentemente, contam-se 20 mil mortes anuais por agrotóxicos, segundo registros da OMS. Urge, portanto, a tomada de medidas de controle.

Em virtude dos fatos mencionados, constata-se que apesar de as atividades do agronegócio serem de grande importância para a economia brasileira, deve haver uma conscientização do impacto ambiental e na saúde populacional. Dessa forma, o poder público deve fazer um reforço do artigo 255 da Constituição Federal - de que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Os órgãos responsáveis, tanto o Ministério do Meio Ambiente quanto o IBAMA, devem investir em medidas, divulgando os problemas para que possam atingir todas as faixas etárias. Ações como as apresentadas contribuirão para mudanças significativas nesse quadro. Destarte, quem sabe, se pudesse inverter a máxima de Schweizer e o homem poder dominar a si, em vez de destruir o meio ambiente.