Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 14/10/2020

Charles Lyell, em sua defesa ao gradualismo geológico, propõe que o relevo se modifica lentamente. Por subsequência, Darwin lança o gradualismo biológico, propondo que as espécies se modificam lentamente, assim como suas necessidades. Conquanto, no prelúdio do século XXI, a ideia darwinista não se mostra espelho da realidade. Em virtude disso, a ampliação do agronegócio constitui um calcanhar de Aquiles para o pleno desenvolvimento ecológico do Brasil. Nesse sentido, apesar dos avanços constitucionais, o número de áreas afetadas por essa atividade ainda cresce. Além disso, a negligencia estatal contribui para a perpetuação desse cenário negativo.

De início, a análise da teoria malthusiana sinaliza que não há recursos para todos que nascem. Por esse ângulo, a densidade populacional cresce em progressão geométrica e, junto com ela a fome, doenças e crises sociais, enquanto a capacidade de produção de alimentos aumenta em progressão aritmética. De fato, desde o início da modernização, a necessidade da sociedade em produzir, consumir e adquirir novos produtos vêm aumentando e gerando um constante impacto ao meio ambiente. Seja pelo obstinado uso de produtos químicos, para aumentar e acelerar a produção, ou pelo desmatamento em virtude da necessidade de novas áreas de fabricação. Tudo isso ocasiona constantes queimadas e, intensifica ainda mais os efeitos biogeográficos e sociais, no cenário nacional.

Em segundo plano, cabe avaliar o desempenho estatal nesse contexto atual. Por isso, o termo sociedade de risco, criado pelo sociólogo alemão Ulrich Beck, coloca a origem e as consequências da degradação ambiental no centro da sociedade moderna. Seguindo esse fundamento, a constante expansão das atividades de agronegócios gera ameaça às terras protegidas por leis, visto que os proprietários pressionam o governo para liberar o espaço desejado. Assim sendo, o descuido governamental proporciona a propagação dessa prática de degradação do ecossistema. Em consonância, Ulrich expõe a falta de controle das instituições sociais nesse campo, após os riscos superarem os aspectos positivos.

Torna-se claro, portanto, a ingerência midiática e estatal na polêmica retratada. Logo, cabe à imprensa, por meio de todos os veículos de perpetuação, proporcionar instruções acerca das consequências de um agronegócio lesivo, além de gerar entendimento para a produção dessa prática de forma sustentável. Afim de gerar um mecanismo de harmonia ambiental e social. Ademais, compete ao Ministério do Meio Ambiente, por meio do IBAMA, gerenciar as principais políticas e diretrizes a respeito do meio ambiente, intensificando a proteção de áreas florestais, por meio de mapeamentos e vigilância aérea e terrestre. Assim, será possível um espaço ecossistêmico simétrico.