Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 23/10/2020

Após a Revolução Verde, movimento com o intuito de multiplicar a produção de alimentos, ocorreu a ascensão do agronegócio em território nacional, já que esse modelo de gestão mecanizada também é pautado pelo objetivo da elevada produtividade. No entanto, ao passo que esse mecanismo fomenta o desenvolvimento econômico do país, contribui para a geração de problemas socioambientais. Tal cenário ocorre não só em razão da intensa exploração dos recursos naturais pelo sistema agropecuário, mas também devido à desigualdade entre os indivíduos dentro do campo.

Cabe ressaltar, primeiramente, que a intensa utilização do meio para a produção agrária contribui para a manutenção do problema. Acerca disso, o filósofo alemão Hans Jonas, em sua obra “O Princípio da Responsabilidade”, afirma que os indivíduos devem desfrutar dos avanços tecnológicos em prol da vida humana e do planeta. Contudo, essa ideia vai de encontro ao comportamento estabelecido pelos empresários do agronegócio, visto que, por mais que possuam maquinários avançados, não prezam pelo controle das áreas afetadas por estes. Dessa maneira, é indubitável que a expansão desse modelo agrícola traz prejuízos danosos ao ecossistema, como o desmatamento e, consequentemente, a degradação do solo e a perda da biodiversidade.

Ademais, é imprescindível destacar que a elevada mercantilização do agronegócio representa um entrave para a solução da problemática. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Karl Marx, a desigualdade é causada pela divisão de classes, dentre aqueles que possuem os meios de produção e aqueles que contam apenas com sua força de trabalho. A partir desse pressuposto, a dominação dos camponeses, isentos de ferramentas físicas necessárias para o trabalho, pelos grandes latifundiários exemplifica o pensamento do autor. Essa distinção trabalhista ocorre em virtude do sistema de gestão da área rural ser extremamente capitalizado, necessitando da compra de diversos produtos para a manutenção da produção. Dessa forma, acentua-se a segregação social, posto que a participação, nesse setor, dos grupos desprovidos de recursos financeiros se torna dificultada.

Portanto, tendo em vista o que foi analisado, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, agente promotor de projetos ambientais, realizar a fiscalização efetiva das atividades agropecuárias , por meio da visita periódica de profissionais nas áreas exploradas, para que se estabeleça o controle dos impactos ambientais. Além disso, para que haja a possibilidade da ascensão dos pequenos trabalhadores rurais no agronegócio, o Estado deve criar um programa de fornecimento de incentivos de capital, por intermédio da concessão de empréstimos facilitados a esses grupos, a serem pagos após o início da prática agrícola. Desse modo, o país será equilibrado no âmbito socioambiental.