Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 27/10/2020

É possível comparar duas vertentes do gênero musical sertanejo a um meio de produção: a agricultura. Enquanto a agricultura familiar representa trabalhadores que levam uma vida mais simples e no campo, como retrata o sertanejo raiz, o agronegócio é comandado pelos grandes latifundiários, que possuem uma vida muito mais relacionada ao cotidiano no meio urbano e aos seus luxos. Tal situação é muito retratada pelo sertanejo universitário, um dos estilos mais escutados no país, ao passo que o anterior não possuí o mínimo dessa repercussão. Dito isso, é possível perceber uma preocupante relação de expansão do sistema latifundiário do agronegócio no Brasil, o que é preocupante, pois apresenta malefícios ao consumidor e ao trabalhador rural.

A priori, é essencial ressaltar que a mando do mercado internacional ao qual o agronegócio atende, existem pré selecionadas espécies dos alimentos. A socióloga Sabrina Fernandes utiliza como exemplo para essa problemática a cenoura: originalmente, o legume era roxo, porém, devido a um processo de construção histórico envolvendo seleção genética, as cenouras produzidas e vendidas atualmente são as laranjas. Tal fator implica na necessidade de haver uma monocultura no agronegócio para atender a demanda global, e para que esse modo de produção ocorra, existem graves consequências: a primeira delas é a utilização de agrotóxicos para essa alta demanda de apenas um tipo de alimento, fator que além de prejudicar a saúde da população custa ao ambiente 70% dos recursos terrestres para produzir cerca de 30% do alimento mundial, de acordo com a Fundação Heinrich Böll Brasil. Além disso, essa iniciativa reduz as opções do consumidor, isentando – os de sua autonomia alimentar.

Em segunda análise, é fundamental apontar que o agronegócio é comandado pelos grandes latifundiários, que são donos de meios de produção. Sendo assim, segundo o que Karl Marx aponta em sua principal obra, “O Capital”, o burguês explora o trabalhador de tal forma que ele deve vender a própria força de trabalho, não mais sua produção. Um exemplo concreto desse fato é que o agronegócio representa 43% da “lista suja” do Ministério do Trabalho, relacionada à imposição do trabalho escravo. Diante disso, há uma reação dos trabalhadores, fomentando a luta de classes, que no caso é representada pela luta de movimentos campesinos pela emancipação da agricultura familiar.

Por conseguinte, fica clara a necessidade de aumentar as perspectivas da agricultura familiar no Brasil. Por isso, é de suma importância que o Ministério da Agricultura emancipe a agricultura familiar e ecológica por meio da estruturação de uma reforma agrária que reorganizará a estrutura fundiária nacional. Assim, a população poderá se envolver nas estratégias de produção, distribuição e consumo de alimentos, ou seja, garantir sua soberania alimentar.