Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 28/10/2020

O documentário “Ser Tão Velho Cerrado”, de 2018, revela os discursos de ambas as partes: ambientalistas e a população sobre os impactos oferecidos pelos latifúndios para a preservação e bem-estar social. Nesse prisma, é perceptível a grande interferência da expansão desse empreendedorismo para a comunidade brasileira e o meio ambiente. Dessa forma, há a desarmonia do patrimônio natural do Brasil com o manejo inadequado, além de contribuir para a desigualdade social e a falta de mérito dada à agricultura familiar. Logo, é imprescindível que o Estado se posicione de maneira que ocorra a sustentabilidade no país.

Observa-se, em primeira instância, que o capitalismo com o ideal de acumulação máxima de capital possibilita a destruição dos biomas. Consoante com o instituto Mapbiomas, em 2017 a Amazônia e o Cerrado concentraram 96% das áreas desmatadas em todo o território, dentre as causas: o agronegócio. Inegavelmente, a agroexportação prioriza os lucros e é caracterizada pela grande insatisfação do uso da terra, o que leva os empresários a utilizarem inúmeros hectares. Por conseguinte, a natureza é posta em último plano, quando deveria possuir a relevância merecida, já que realiza a manutenção da biosfera.

Em segunda instância, a desigualdade econômica é acentuada, posto que os trabalhadores familiares são negligenciados das condições necessárias para a produção. Conforme a Carta Magna brasileira, a Reforma Agrária é uma relevante política agrícola e deve visar uma melhor distribuição de terras, com o fito de promover a justiça social. Entretanto, não é realidade devido às demandas da agropecuária, que altamente mecanizada disputa com a agricultura familiar e acumula posses dos territórios. Em suma, os auxílios não prestados para aos agricultores de pequeno porte os desclassifica e marginaliza.

Evidencia-se, portanto, que a economia nacional ainda é excludente, somada à exploração inadequada dos recursos naturais. Certamente, o Ministério do Meio Ambiente necessita frear a expansão dos latifúndios, com a limitação de territórios próximos à áreas florestais, por meio da fiscalização policial intensa e uso de monitoramentos tecnológicos, como drones, a fim de diminuir a ilegalidade do desmatamento. Ademais, o Ministério da Agricultura deve fornecer subsídios para pequenos produtores, isto é, a concessão de terras e equipamentos, assim terão condições de subsistência. Por consequência, essas ações fornecerão significativa proteção da fauna e flora do Brasil, e ainda irão reverter os dados de destruição dos biomas.