Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 07/11/2020

A obra cinematográfica “Okja”, do diretor coreano Bong Jon-Hoo, retrata um cenário em que uma empresa multinacional e agroexportadora usa biotecnologia para criar uma nova espécie de porcos - os “superpigs” - com o objetivo de maximizar os próprios lucros, empregando, para tal, uma linguagem fortemente “eufêmica” quanto à qualidade do produto oferecido. Esse aspecto da obra, quando traduzido para a realidade brasileira, permite a melhor compreensão das polêmicas acerca da expansão do agronegócio no país, que estão ligadas à falta de preocupação com a saúde do consumidor, bem como aos impactos socioambientais potencializados por esse tipo de mercado.

Em primeira análise, é evidente que as polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil muito têm a ver com a arbitrariedade com que os produtores tratam a saúde do consumidor. Isso porque, apesar de o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988 garantir o direito inalienável à saúde a todos os cidadãos, o país - segundo a Fundação Oswaldo Cruz - é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Isso significa dizer que a inobservância do cumprimento desse artigo constitucional - por empresas agroexportadoras - potencializa o consumo de produtos com alto teor de substâncias prejudiciais aos brasileiros, o que ameaça o exercício pleno do direito à saúde respaldado pela lei.

Em segunda análise, vale destacar que a expansão do agronegócio brasileiro e, em especial, da agropecuária, gera polêmicas no que diz respeito aos impactos socioambientais potencializados por esse tipo de negócio. Isso porque, de acordo com a Revista Globo Rural, a pecuária é responsável por um quarto da emissão de dióxido de carbono do país - o equivalente a 500 milhões de toneladas emitidas por ano -, o que implica dizer que a expansão da criação de animais para a exportação no Brasil contribui de forma efetiva para o agravamento do efeito estufa sentido nos últimos anos. Ademais, no âmbito social, a agropecuária pode ser responsabilizada pela má distribuição alimentícia no país e consequente marginalização nutricional das camadas mais vulneráveis da população, visto que redireciona grande parte da soja plantada no território nacional para as criações de gado.

Portanto, as polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil - ligadas primordialmente à saúde da população e do planeta - têm grande relevância e precisam ser amplamente discutidas. Para tanto, é necessário que instituições de ensino, em conjunto com os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde - orgãos responsáveis pela regulamentação e execução de leis em suas respectivas jurisdições -, promovam debates acerca do tema, através de palestras e discussões em sala de aula, com a presença de especialistas nas áreas de nutrição e gestão ambiental, com o intuito de conscientizar a nova geração quanto aos impactos gerados pela produção e consumo dos produtos em questão.