Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 01/03/2021
O livro Terra, do fotógrafo Sebastião Salgado, retrata a estrutura fundiária brasileira a qual se perpetua na história, em que a obra descreve a tensão no campo no ano de 1994, no qual 19 trabalhadores rurais foram assassinados em Eldorado dos Carajás PA. Nesse contexto, apesar da cronologia não ser a mesma, as controvérsias acerca da expansão do agronegócio no brasil ainda persiste. Visto isso, tal problemática decorre não só do monopólio político existente, como também da ausência de políticas públicas para a agricultura campesina.
Em primeira análise, é válido ressaltar a importância do Poder Público em romper o monopólio político existente no senado. De fato, essa realidade se mantém desde do período Brasil Colônia, o qual se estabeleceu uma empresa agrícola portuguesa de plantation açucareira, em colocou em condição subalterna o camponês. Nesse sentido, percebe - se que vão sendo forjadas leis ao longo da história, dentre elas a Lei de Terras, uma vez que só poderia ter terras no Brasil em tivesse dinheiro. Dessa forma, o agronegócio possui as maiores áreas do campo brasileiro e, recebe a maior parte dos créditos do câmbio nacional, e o que produzem são as commodities, ou seja, produtos para a exportação; a origem de pesos distintos entre o agronegócio e a agricultura campesina.
Além disso, é primordial enfatizar o destaque do Estado Democrático de Direito em criar ações enérgicas, as quais assegurem a agricultura familiar. A leitura de Marx, identificou no capitalismo três classes sociais, a burguesia, proletariado e o campesinato. Nessa lógica, para reconhecer o camponês, primeiro é pela sua intimidade com a terra, agricultura para eles é significado de cultura, isto é, existe um simbolismo, uma relação muito além de ser comercial. Dessa maneira, no campo brasileiro de um lado tem uma estrutura moderna, extremamente técnica, em contra partida ao camponês local. Então, quando se lê que o agronegócio é Tech, é Pop, é Tudo, está se ressignificando o latifúndio no Brasil, com o discurso de que o povo precisa da agro - indústria para ser a alavanca do desenvolvimento do país, mas reproduz a estrutura injusta no campo.
Portanto, é fulcral que o Governo Federal em parceria com as instâncias de agricultura estaduais, deve ampliar políticas públicas afirmativas, por intermédio de créditos financeiros rurais para o pequeno agricultor, e o apoio técnico desenvolvido pela EMBRAPA, com a finalidade de descentralizar o monopólio político existente da bancada ruralista. Ademais, os integrantes da agriculta familiar, em conjunto com os sindicatos rurais, precisa buscar ações governamentais para a comunidade campesina, por meio de manifestações e petições públicas. Só assim, o conhecimento das comunidades tradicionais será mantida, pois a diversidade são saberes, que o homem em seu fazer diário densenvolve.