Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 05/09/2021
Nos primórdios da colonização, o modo de produção agrícola se baseava, majoritariamente, no sistema de Plantation, o qual era caracterizado pela presença da escravidão, do latifúndio e da monocultura voltada para o mercado externo. De forma análoga, a expansão do agronegócio priorizou o viés econômico em detrimento do desenvolvimento sustentável, o que contribuiu no perecimento do meio natural.
Sob essa perspectiva, o documentário “Ser tão velho Cerrado”, exibido na Netflix, evidencia os impactos ambientais causados devido à expansão da fronteira agrícola. Tal conjuntura culminou na devastação de novas áreas, em vez de revitalizar as regiões já desmatadas por meio da rotação de culturas, que prioriza a plantação de diferentes cultivos, de modo que se evite o empobrecimento do solo, e do sistema de pousio, que permite um descanso da área degradada, antes de se iniciar um novo plantio. Por conseguinte, esse descaso corrobora a lixiviação (“lavagem” pedológica), que promove a perda de nutrientes e, posterior, enfraquecimento do solo, o que favorece a ocorrência de processos erosivos.
Outrossim, os incêndios no Pantanal, ocorridos no ano de 2020 durante o período das cheias, expõem os impactos da interferência antrópica no meio natural, que culminou na devastação do Parque Nacional do Boqueirão da Onça, o qual é considerado a maior reserva de onças-pintadas no mundo. Ademais, a utilização de defensivos agrícolas de forma intensiva, com o objetivo de aumentar a produtividade e reduzir prejuízos, promove desequílibrios ambientais devido à eliminação não só das pragas agrícolas, como também das espécies nativas essenciais à manutenção das teias alimentares. Além disso, o uso excessivo de fertilizantes- compostos por nitrogênio, fósforo e potássio- contribui na contaminação e eutrofização de corpos d’água, os quais promovem a intoxicação de seres vivos e a redução da quantidade de oxigênio disponível.
Logo, é notória a intervenção do agronegócio no meio natural. Nesse viés, faz necessária a atuação do Ministério do Meio Ambiente no combate ao desmatamento de novas áreas e à devastação de ecossistemas. Tais ações podem ser efetivadas por meio dos mecanismos de proteção ambiental, como a AIA (Avaliação de Impacto Ambiental), do reaproveitamento de regiões já degradadas e do uso de técnicas que permitam uma maior longevidade ao solo, como a rotação de culturas. Dessa forma, será possível o estabelecimento de um desenvolvimento sustentável, que permitirá o desenvolvimento econômico, sem promover o perecimento do meio ambiente.